O QUE É O DIA 13 DE MAIO?

Um dia, uma princesa muito feia, pressionada politicamente por um bando de velhos de peruquinhas, com piolho, fedendo a sovaco sujo ( alguém duvida que a corte no Brasil era assim?), se viu obrigada a assinar um documento que abolia a escravidão no país.
A pena e o tinteiro estão expostos no museu imperial em Petrópolis, Rio de Janeiro. Ok.
São 122 anos de liberdade, e o que mudou? Não se pode ter um negro trancado no quintal te servindo a toda hora, como se fossemos ( nós brancos) Deuses superiores. Não se tem um negro para espancar por que pisou no tapete da sala sem querer. Não se tem um negro para humilhar quando se sente entediado.
Mas há sim, milhares de negros no país, sofrendo da mesma forma cruel que há 200 anos atrás, só que de uma forma velada.
Há escravidão no país, como mostrado há semanas atrás por um jornalístico da TV. Bolivianos trancados num lugar fétido, trabalhando 20 horas por dia costurando roupas que seriam vendidas na 25 de março, no Braz. Não são negros, mas são pobres coitados fugidos do seu país de origem, que subjugados por um dos seus ( o cara que os matinha presos também era Boliviano) não tinham perspectivas de vida apenas trabalhavam em troca de uma gosma nojenta para comer. Então temos escravidão, só que escondida!
E o negros? Estão livres?


Não, não estão. Continuam sendo humilhados em portas de bancos, sentados na calçada como indigentes, sendo queimados com gasolina no cair da madrugada. Continuam discriminados numa seleção de vestibular, tendo que apelar para uma cota ridícula imposta pelo governo. São escalados para um trabalho televisivo por que a lei obriga que haja negros numa teledramaturgia.
Se isso não é uma forma de escravidão, por favor, me corrijam.
Será que a sociedade brasileira acredita que com o fim das senzalas, dos quilombos nesses 122 anos, o povo negro, que ajudou a construir um país, que enriqueceu senhores feudais, barões de café, são vistos como iguais dentro de uma nação miscigenada como a nossa? Não acredito. Por que se o povo acreditasse e entendesse de verdade que não há cor de pele, religião, sexo, situação financeira, que nos distingue, não precisariam leis para proteger os humilhados.


Art 3º Recusar a venda de mercadorias e em lojas de qualquer gênero, ou atender clientes em restaurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, onde se sirvam alimentos, bebidas, refrigerantes e guloseimas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de quinze dias a três meses ou multa de Cr$500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$5.000,00 (cinco mil cruzeiros).
LEI AFONSO ARINOS LEI Nº 1.390, DE 3 DE JULHO DE 1951
Que país mediocre o nosso, que necessita dizer que em lugares publicos não se pode impedir uma pessoa de comer por causa da cor de sua pele. Ainda por cima estipular uma multa para quem infrigi-la e ameaça-la de prisão.
Olhemos para nós mesmos e façamos uma analise profunda dos nossos atos. Somos preconceituosos com o negro ainda?
Muitos dirão que não e se isso for realmente verdade, parabéns. Se entre 10 de nós, 8 tiver a consciencia de que não tem preconceito, parabéns de novo, por que é prova de que um dia seremos uma nação melhor.
A Princesa feia, disse que não podia mais ter um negro sob o julgo de alguém, mas esqueceu de dar a esse negro um lar, um prato de comida. Esqueceu de dizer que os filhos destes que nasceriam livres, teriam direito ao estudo, a saude publica. Simplesmente mandaram que eles se fossem das fazendas de café, mas não disseram ao “canalha” que os mantinha presos que era sua obrigação dar essas pessoas uma vida digna, já que os tirou de suas raízes e os traficou para terras distantes, para usa-los como mulas de carga.
Infelizmente ainda somos um povo pequeno nas idéias. Claro que não generalizo, por que há muito avanço nas gerações que estão por vir, percebe-se isso, claramente.
Há o que se comemorar no dia da libertação dos escravos? Quem sabe.

Abração a todos...

20 comentários:

Denise disse...

é,vai ver pq ela era feia rs
pq foi pressionada.....e pq somos hipocritas quando nos dizemos sem preconceito ,mas continuamos a fechar os olhos com as injustiças,sofridas por esses que se tornam escravos.

Chá das Cinco disse...

Aqui no Brasil só não há preconceito quando se trata de político ladrão, eles são reeleitos com milhões de votos.
Nem me fale...
Estou farta da maneira que estamos vivendo, tanta coisa pra oferecer, mas nenhuma organização.
O "brasil" é um país que se escreve com letras minúsculas.
Um grande abraço amigo
Gemária Sampaio

Denise disse...

fui embora e fiquei pensando
pensando ,cismando que não tinha dito tudo que eu pensava sobre racismo,escravidão e preconceito.
e lembrei-me de Rui Barbosa.

"De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, a desanimar-se da justiça e a ter vergonha de ser honesto."


triste não é

Arsênico disse...

Eu fico realmente indignado quando presencio qualquer forma de discriminação! Abomino... eu me julgo uma pessoa totalmente sem preconceitos... não há uma coisa se quer que eu me lembre de ter frigido a testa ou desviado o olhar porque me incomodava... e espero mesmo que eu seja livre de qualquer forma de rejeição...

Talvez porque eu seja gay... conheço na pele o que é preconceito... e acredito ter prendido ao longo dos anos que não existe ninguém melhor que o outro!

É realmente uma pena para que a sociedade viva em harmonia necessitemos de leis como tais!

Se cada um deixasse de olhar o próprio umbigo... tudo seria tão diferente!

Os avanços acontecem... verdade... mas a passos muitos lentos! Gostaria de antes de morrer... ver um mundo melhor... PARA TODOS!

***

Edu disse...

Sou como o Arsênico. Por isso tb me revolta quando vejo negros, judeus, deficientes ou qualquer outra "minoria" com preconceito contra os gays (ou qualquer outra "minoria").

Serginho Tavares disse...

o brasil continua um país escravagista.
isto é fato!

Andrea Pagano disse...

Rafa,
Hoje a Brisa faz três meses...rsrs
Aquariana como vc, nasceu dia 13.02.2010 e quando se é bebê cada mês é uma grande mudança!
Um dos filmes de escravidão que mais meu chocou foi Amistad, acredito que vc já assistiu, chorei muito e cada vez que lembro me dá uma tristeza grande de saber que aquilo tudo aconteceu.
O Brasil, foi um dos ultimos paises a assinar a libertação, mesmo assim esses dias fui ao museu do Ipiranga, lá tem uns posters de jornais da época em que mesmo após a libertação, vendiam-se pessoas, filhos, mulheres, irmãos separados ...uma atrocidades!
Assisto às vezes Sinha Moça e a Pietra pergunta se aquilo é verdade ...ela não entende porque eles sofrem tanto, por mais que eu explico ela não entende que a cor da pele justifica a violência!
Ontem encontrei um cara negro na rua, morador ...que vou fazer um post mais tarde do que ele me contou ...É meu amigo a venda de seres e a total falta de respeito à vida, nem a lei baniu!
Beijão
(Ah ...estou ouvindo o CD, obrigada)

Autor disse...

Eu tenho problemas com blogs atualizados diariamente, risos... Mas cá estou de novo e aproveito pra agradecer a música muito propícia indicada em minha homenagem no post anterior. É tão bom ser querido e anunciado pro mundo como um quase trinta, sabe? hehehe

Sobre tudo que escreveu hj, assino embaixo. A escravidão taí. Só que ideológica e social. Alguém duvida?

[ ]'s
Autor

•.¸¸.•*♥*•.¸¸.• Sanzinha •.¸¸.•*♥*•.¸¸.• disse...

E isso não é só aqui, continua por todo o mundo.
E também nós, brasileiros, seja qual for a cor, sofremos preconceitos lá fora.
Parece que com o tempo as pessoas vão se esquecendo de como é ser humano.

Beijo grande, Rafael. Ótimo fim de semana pra vc!

•.¸¸.•*♥*•.¸¸.• Sanzinha •.¸¸.•*♥*•.¸¸.• disse...

Que gracinhaaaaaaa!
Agora que li o post anterior e vi a dedicatória.. rsrsrs.
Sabe que minha mãe tem uma coleção de cds da jovem guarda e "Coisinha Estúpida" é uma das músicas que mais gosto? rs
Eu sou assim, tenho esse ar de "tontinha".. kkkkkkkk

Adorei, Rafael!

Beijão!

Fernanda Elisa disse...

Opa!

Descobri vc pelo blog da San, aqui em cima, e vejo que me dei bem. Cai de paraquedas em bons textos. Li os dois último e gostei pacas!

Rapaz, seu texto me fez lembrar de uma música do Ney Matogrosso chamada "Inclassificáveis". Dá uma procurada na net. Cabe bem ao seu post.

Bjos,
Passarei sempre.

Atitude: substantivo feminino. disse...

Não libertaram os escravos, apenas facilitaram as coisas para a corte.
Política. É assim até hoje. E quando achamos que estamos livres vem a mídia e nos empurra mordaças e máscaras de ferro. Olhe ao redor...não há espaço para gordos, para deficientes físicos, o casamento gay ainda é discriminado...até paraíba sofre preconceito. A corte continua aí. Só escravizando. É mais fácil para eles assim. manter uma massa de favelados, pobres e ignorantes só aumenta e faz lucrar a industria da miséria. Enquanto a pobreza der lucro, haverá escravidão.

Karina disse...

Apesar do Roberto Damatta ter destacado em um de seus textos que o preconceito no Brasil seria diferente do que existe nos EUA, por ser social enquanto nos EUA seria de origem, não concordo plenamente com esta assertiva, pois ainda vemos que o preconceito no Brasil, infelizmente, também é ligado à cor. Não concordo com o sistema de cotas, uma vez que a Constituição Federal determina que os iguais sejam tratados de forma igual e os desiguais de forma desigual. Para mim, o sistema de cotas declara expressamente a inferioridade (que não existe) dos negros, ao contrário do que manda a Carta Magna. Sendo assim, é acredito que este tipo de preconceito (é, porque eu tenho outros - confesso) é uma besteira. Somos fruto de uma forte miscigenação, o que não dá para negar. Sobre o blog: adorei. Bjs, Karina.

Lobo Cinzento disse...

É como o Arsênico e o Edu disseram ali em cima. Viver uma forma de preconceito nos faz ter uma mente muito aberta, porque sentimos na pele como é ser discriminado... Eu estaria definitivamente perdido se eu ostentasse algum. Leciono em escola pública, a maioria dos meus alunos são negros...

E as leis se fazem necessárias enquanto a sociedade for composta de ogros ligados a "padrões sociais" e intolerantes. Quando a visão das pessoas começar a mudar, quem sabe isso não comece a ficar implícito, como deveria ser desde o começo...

Abraços Rafael!

Carol Lina disse...

Eu estava apenas lendo blogs sem comentá-los. De repente, me deparei com seu texto e não pude deixar de dar um oi, afinal, minha frase no twitter hoje foi: Dia 13 de maio! Aniversário da Lei Áurea e eu continuo em regime de escravidão!
Uma brincadeira, bem longe de tudo o que você disse aí. O negro deixou de ter um senhor para ter vários. Não apenas ele, mas todos os brasileiros não-desdendentes dos nobres, ou seja, aqueles que apenas sobrevivem, trabalham para ter o que comer e comem para poder trabalhar. O preconceito brasileiro, penso eu, não está apenas na cor da pele, mas na roupa, na cor das unhas, na limpeza do cabelo, no cheiro do perfume...
Parabéns pela reflexão!

Srta. Caroline disse...

Rafael adorei o blog! super autêntico. Qd li no perfil que tb é um aquariano não resisti e, imediatamente resolvi seguir. Bjo bjo =]

Três Egos disse...

A abolição da escravidão no Brasil só foi assinada porque o sistema na época estava mudando para o assalariado, já que era mais barato manter um imigrante do que um escravo, mesmo porque os escravos já estavam fugindo mesmo. Enfim, eu não digo que apenas os negros sofrem preconceito, mas são eles que sofrem mais mesmo, pobre e negro então, este aí não merece nem andar na rua! Enfim, é o que sempre digo, o Brasil se orgulha tanto de ser uma população miscigenada e, por isto (como se isso fosse justificativa), sem preconceitos! Sem preconceito declarado, mas no fundo quem nunca ouviu falar "Tinha que ser preto!"?

Abraço!

Marcos disse...

Meu pitaco é de aopio ao que você escreveu... Brasil é RACISTA, quem já teve oportunidade de viajar aos EUA, pode perceber que os norte americanos abrem espaço na MACHADADA para obterem o respeito devido.

Aqui, infelizmente o negro quer ser branco e negam suas raizes... não todos evidente, mas grande parte e isso não facilita a melhoria de sua situação. Compreensível pela história de agressão e humilhação vivida... um paradigma da marginalização.

abçs

JPM disse...

Olá,
É, a escravidão só terminou de modo oficial no mundo, assim como na América Latina terminaram as ditaduras de modo oficial, pois a ditadura econômica persiste e persistirá por muito tempo...
Não lembro nomes, mas em 1985 ou 86, saiu matéria em revista, smj, a Veja, pág. amarelas, com um prof. da Unicamp, ele era militar também. O entrevistado disse que a única coisa que havia mudado no Brasil é que agora tínhamos um presidente civil com traje civil, antes era um militar com traje civil.
Em média um assalariado ganha 1/100 daquilo que o consumidor (que pode ser ele mesmo) paga pelo produto que ele fabricou. Se isto não é escravidão. Aliás, a escravidão apenas terminou porque a Inglaterra queria açúcar mais barato, o que só era possível com mão de obra assalariada. Um escravo custava mais caro do que um assalariado.
Saúde e felicidade.
João Pedro Metz

Dama de Cinzas disse...

Bem seu blog eu tenho que ler todos os posts que não tive acesso durante esse período de afastamento. rsrs

Acho sim! que temos ainda muito preconceito contra os negros. Embora agora exista uma ala da sociedade que se diz perseguida por eles, os branquelos e gente de todos os tipos... rs... Ridículo! Ser discriminado não é sofrer uma gozação, ser discriminado é tirarem o seu direito, seu acesso! Isso é discriminação! E existe ainda muito preconceito contra os negros. Adorei o post!

Beijocas