Hoje, faz exatos 12 anos que minha avó materna nos deixou. Incrível que ao acordar flashes daquele dia vieram tão nítidos como se os vivesse ontem. Partiu num ciclo de 88 anos, na véspera de completar mais uma primavera. Amanhã dia 15 de março completaria 100 anos.
Existe uma tênue decisão a ser tomada quando um parente próximo, que vive ao seu lado adoece. O que fazer? No caso da minha avó, após uma gravíssima embolia pulmonar, retornou para casa sem reconhecer mais ninguém. A infecção foi tão severa, tão grave, que toda a sua percepção de realidade se extinguiu. Não sabíamos lidar com o ocorrido, o drama durou alguns meses até se estabilizar. Ela viveu assim por 14 meses, e depois se foi. Mas cuidamos sem esmorecer.
Após um tempo nos adaptamos a realidade, e tanto os adultos quanto as crianças transformaram aquela situação desconfortável numa brincadeira. Passamos a enxergar de outra forma a doença. Algo muito próximo com os personagens do filme “ A Vida é bela”.
Muitas situações engraçadas ficaram na lembrança, varias cenas e acontecimentos que nos deixam uma saudade maior ainda. Mas a imagem guardada na lembrança não é essa, e sim da avó saudável, risonha e severa que ajudou a criar as 3 crianças da filha.
Participar da passagem de uma pessoa próxima é um tanto misterioso e inexplicável. Uma semana antes, na época carnaval, viajamos todos e a deixamos aos cuidados de minha mãe, que é uma pessoa sem paciência para esse tipo de situação. As duas ficaram sós e puderam, de alguma forma, exorcizar fantasmas do passado, mesmo minha avó não falando mais com tanta desenvoltura, mas minha mãe jurava que estava totalmente lucida. Outras pessoas da família também tiveram oportunidade de resolver pendencias da vida com ela. Fatos que não precisam ser contados.
Outro acontecimento que nos impressionou nas vésperas de sua ida, foi a insistência de chamar por um sobrinho que tinha a mesma idade dela. Chamava-se Zezinho, morava em Santos, litoral de São Paulo, e por uma noite interminável ela o evocou. Ao ligar para os familiares dele após a morte da minha avó, sua cunhada em prantos noticiou que Zezinho havia morrido, na mesma noite em que minha avó o chamou incessantemente, ele de lá dizia que precisava ver “mocinha”(apelido da minha avó) antes de morrer.
Na véspera de sua passagem, observávamos suas atitudes, e percebemos que a noite inteira ela permaneceu acordada. De longe percebíamos ela levantar a mão como se chamando alguém. Os olhos acompanhavam dentro do quarto de um lado a outro como se alguma pessoa estivesse caminhando. Posso afirmar que algumas vezes ela sorriu.
Sua religiosidade sempre foi exacerbada, e por conta disso, nós familiares respeitávamos a suas atitudes. Crescer, passar pela adolescência sem perder ninguém assim tão próximo é complicado, por que uma hora você tem inevitavelmente que lidar com a morte. Havia perdido outros parentes, os avós paternos, mas era diferente, por que o amor de quem convive 24 horas é mais intenso. Sinto falta de todos, mas dela em especial.
Cuidar de um doente, abnegar-se de horas e dias da sua vida para estar ali ao lado de uma pessoa que necessita não é a melhor das situações. As circunstancias que nos levam a cuidar de um parente não são questionadas, assim como eu e meus irmãos não o fizemos. Em momento algum, nos passou pela cabeça abdicar dos cuidados e interna-la numa clinica. Ela esteve ali, com todos ao seu lado até o ultimo momento de vida.
E melhor que isso, foi à certeza de uma consciência tranquila, por ter feito tudo o que estava ao nosso alcance.
Por ter sido sempre um cara “bonzinho”, fui vitima de programas de índio absurdos, tudo por que achava que negar um convite era falta de educação, de gentileza com os que delicadamente me convidavam. Nessa, me meti em cada absurdo que hoje tenho vergonha de lembrar.
Uma dessas histórias aconteceu num réveillon no inicio dos anos 2000. Eu quando criança tive réveillons péssimos, assim como natais organizados por minha mãe que preferimos esquecer de tão ruins que foram. Por ter passado momentos assim, fiz com Scarlet O´Hara ao comer nabo retirado da plantação: eu juro, que nunca mais terei um réveillon ruim. E na busca disso só me ferrei.
Em determinado ano, meus pais viajaram, assim como meus irmão, ficando eu, sozinho em Campinas a mercê de amigos. Bondosos, me convidaram a ir para uma cidade próxima na chácara de um conhecido deles. O cara havia estudado com a esposa do meu amigo e haviam se reencontrado dias antes num casamento. Isso já era um indicativo que o negócio seria um lixo, mas para não ficar em casa sozinho e depressivo, aceitei o convite e fui.
Um povo medonho. Um lugar medonho. Uma comida medonha. As pessoas não me cumprimentaram por que era uma festa de família, e amigos íntimos. O que um cara sabe-se la de onde estava fazendo ali. Eu teria a mesma atitude, alias, acho até que praticaria Bulliyng com essa pessoas...rs rs rs.
Levei uma deliciosa torta de maça que era uma especialidade minha, e modéstia a parte deliciosa. Mas sei la o que aconteceu, ficou uma bosta. Mas, só descobri tarde demais.
Assim que iniciaram a contagem regressiva, meu amigo posicionou rojões e começou a solta-los. Aqueles que iniciam fininho e depois estouram bem alto. Aqui em Campinas, perdoem-me o palavrão (não costumam fazer comentário de baixo calão) dizem que o som desses rojões é parecido com a seguinte frase: Chuuuuuuuuuuuuupa paaaaauuuuuuuuuu!!!!! Coisa de campineiro...rs rs rs
No terceiro rojão veio uma senhora e pediu que pareasse com aquilo, por que havia crianças dormindo e que era um absurdo e bla bla bla. Agora, veja bem, você esta na casa de gente que não faz a mínima ideia de onde veio, e leva uma bronca, não era pra ter ido embora? Pois é, eles ficaram, e eu a tira colo.
Depois da comilança, dos assuntos péssimos, das pessoas sem graça, feias, nojentas, ouço uma mulher (a cara da Leci Brandão) dizer: nossa, tudo aqui está maravilhoso, comidas deliciosas, nossa, capricharam esse ano. Só aquela torta de maça ali que ta uma porcaria. Joga fora, ninguém vai comer aquilo.
Aí pergunto: Você está com sua faca rambo na mão e acidentalmente ela cai 39 vezes numa pessoa dessas, você é culpado?
Pois bem, tive que escutar isso, calado, e ainda permanecer no ambiente. E digo mais, não era só a torta que estava ruim, era tudo. Só passei outro réveillon pior que esse no clã de uma família que se achavam os Corleones da vida. Mas essa história conto em outra ocasião.
Figura de estilo ou vicio de linguagem caracterizado pelo uso proposital ou não de palavras desnecessárias para expressar uma ideia já subentendida.
Falar das qualidades das mulheres e o quanto o mundo necessita delas é chover no molhado, é uma unanimidade de todos, certeza absoluta, consenso geral, é repetir de novo...
Pra mim, católico, a imagem de mulher vem de Maria, advogada nossa, mãe abnegada que olha por seus milhares de filhos e intercede junto a Deus por eles. Minha fé.
Existem centenas de milhares de tipos de mulheres. Da mais feminina a mais masculinizada, que impossibilitada pela natureza, jamais conseguirá tornar-se homem, coisa que hoje com a medicina avançada, um rapaz já consegue, pelo menos esteticamente. Temos mulheres circulando entre nós que jamais saberemos se nasceram com periquita ou periquito.
Dizer que sem as mulheres não vivemos, também é um pleonasmo, por que realmente não viveríamos se Eva um dia não tivesse surgido da costela de Adão. Forma tão eufemística de citar a melhor criação de Deus. Bonito acreditar que venham dessa poética imagem, do que pensar que elas um dia foram uma macaca peluda com filhote agarrado a teta.
Desde pequenos somos separados pelos pais através de códigos sociais que dizem que isso é de menino, aquilo é de menina. Consenso esse (criado pelos machões em extinção ) de que homens mandam em mulheres e assim tem que ser. Daí surge às violências físicas, psicológicas e tantas outras atrocidades cometidas contra elas. Mal sabem os pais que ao baterem nas esposas, ensinarem os garotos que isso é o certo, também deixarão que um marmanjo qualquer bata na sua filhinha, que tanto ama.
Dizer serem o sexo frágil é imputar um estigma que ficou lá no século XIX, onde as donzelas eram educadas para o casamento, sem poderem fazer parte da sociedade. Aquelas que transgrediam eram vistas com maus olhos e colocadas a margem de tudo. Hoje não existe mais “um” sexo frágil.
A evolução dos cotidianos mudou isso, graças. Hoje vemos mulheres se expondo, sendo parte importante na decisão de vidas, de nações, de guerras. São elas o pulso firme das politicas mundiais, onde a inteligência do povo permite que comandem. Mesmo assim, ainda há aqueles que as julgam inferiores, problemas estes quase sempre estão relacionados à religião. Ainda bem que somos ocidentais, ainda bem que pra essas bandas já existem leis que proíbem a violência contra elas. Basta apenas sermos menos trogloditas e fazermos das leis ( que existem) uma forma severa de punição. Mesmo com toda essa modernidade estampada aos olhos, cinco mulheres são agredidas a cada hora no Brasil. Vergonha!
Hoje é dia de dizer parabéns. Hoje é dia de oferecer flores a elas. Hoje é aniversario da Hebe...rs
Que as mulheres alcancem cada vez mais espaços entre nós, mas não se contaminem com o poder, e não passem do limite do bom senso. Por que não há nada mais chato do que mulher querer bancar homem. Alias não existe coisa mais ridícula que lésbicas que odeiam homens, e gays que odeiam mulheres.
Abração e felicidades a todas as mulheres que conheço.
Não sei a que veio o reality “Mulheres Ricas”. Assisti alguns episódios por que realmente aquilo era tão fora da nossa realidade que se tornou engraçado. Mas ontem no ultimo episódio muitas coisas ficaram claras pra mim.
No Brasil, não importa se você trabalhou e ficou rico, ainda há uma gama de milionários de berço que se julgam intocáveis. Talvez a reflexão que tenha feito seja a função de algo tão ignóbil como isso apresentado pela Band. Se foi sucesso, acredito que tenham alcançado o objetivo, por que até eu, um severo critico de TV, perdi algumas segundas feiras, rindo da falta de escrúpulos de algumas dessas “mulheres”.
Narcisa Tamborindeguy é um retrato da sociedade carioca dos anos 70 e 80, que desfilavam em Mercedes caríssimos e faziam festas no Copacabana Palace regadas a muita bebida importada e cocaína da boa. É constrangedor vê-la no vídeo com frases sem sentido, pensamentos desconexos num balé interminável de braços e pernas que gesticulam quase golpeando quem está perto. Não acho que Narcisa faça tipo. Ela é uma rica decadente, elegante e com refinamento que veio do berço. Pra quem frequentou castelos na Europa, Narcisa é um resquício, um ultimo gole do whisky 25 anos caríssimo, bebido praticamente a conta gotas.
Lydia Leão Sayeg pareceu ser ( digo PARECEU) a mais realista de todas as mulheres. Nasceu rica, e desenvolve uma profissão desejada por qualquer um, joalheira. Tem bom gosto, é educada, refinada, mas pode ser confundida facilmente com uma bingueira no fim de domingo. Talvez o programa tenha servido para uma autoanalise da sua vida. No inicio mostrou-se fútil, mas aos poucos deixou compromissos com as outras participantes e fez um mea culpa sobre a criação de sua filha inútil.
Débora Rodrigues, entre as ricas foi escrachada em comentários jocosos. Exemplo que dinheiro não compra berço. Apenas respeitam um novo rico pela gorda conta bancária, mas ao darem as costas, são ridicularizados e vistos eternamente como pobres coitados. Debora é uma mulher bonita, sem elegância alguma. Uma Fiona, de Chanel, casada com um personagem típico de pornochanchadas da década de 70. Mas sua serenidade e a certeza de que não precisa frequentar a alta sociedade de São Paulo é que faz dela uma celebridade autentica.
Brunete Fracarolli se expôs de uma forma desnecessária. Profissional de arquitetura e decoração de grande importância dentro de São Paulo. Seu bom gosto vem da criação, da infância, da educação que teve. Mas a parte pessoal nos causa vergonha alheia. Um dia Brunete foi bonita, um dia ela foi desejada, mas envelheceu, e não se deu conta disso. A fisionomia transfigurada por centenas de tratamentos estéticos nos causa aquela impressão ruim, como quando vemos Elsa Soares, Donatella Versase e outras. Uma velha baixinha, de vestidinho rosa curto, com aquela cabeleira de Rogéria nos dá tristeza. Bruneti não expôs a vida pessoal, mas foi o tempo todo sodomizada por Val Marchiori que a ridicularizou em publico, como uma vingança a todas as outras, que mais expertas não se deixaram ofender.
E por ultimo, a única razão pela qual o programa existiu Val Marchiori. Não sei de onde vem, nem o que faz, nem por que é rica. Mas seja lá o que tenha feito pra juntar tanta grana e poder desfilar colares de 500 mil reais, aviões de 30 milhões, Val o fez muito bem. É a exemplo de como ser fútil, desnecessária para sociedade, sem importância alguma para a rotação do planeta. Desfilou grifes, mostrou joias, se embebedou interminavelmente de Veuve Clicquot, causando uma impressão péssima de que é uma alcoólatra. Passar horas do dia com uma taça de champanhe cara nas mãos, desculpem, não é refinamento, é vicio, é alcoolismo. Val tem filhos que descobri pela internet. Mas sua incessante mania de desmistificar Narcisa é um retrato da pobreza que ainda esta enraizada nela. Saiu da favela, mas infelizmente não tirou a favela de dentro dela. Arrogante, temperamental, fútil, escandalosa. Uma mulher que outras a querem longe. Val da sempre a impressão de querer roubar o marido milionária das amigas, e duvido que não o faça, por que não há muito escrúpulos na loira alta, magra e rica. Um desperdício de vida.
Olhando essas mulheres e seus asseclas dá pra entender o reduzido mundinho dos milionários do Brasil. Um povo falido que não se vê pobre, e pobres que enriqueceram e querem frequentar. Numa dessa, Eduardo Dusek lá no passado já mostrou quem são, é só escutar a musica...rs
Duas distintas senhoras encontram-se após um bom tempo sem se verem. Uma pergunta à outra:
— Como vão seus dois filhos... a Rosa e o Francisco?
— Ah! querida... a Rosa casou-se muito bem. Tem um marido maravilhoso. É ele que levanta de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, faz o café da manhã, arruma a casa, lava as louças, recolhe o lixo e faz a faxina. Só depois é que sai para trabalhar, em silêncio, para não acordar a minha filha. Um amor de genro! Benza-o, ó Deus!
— Que bom, heim amiga! E o seu filho, o Francisco? Casou também?
— Casou sim, querida. Mas tadinho dele, deu azar demais. Casou-se muito mal... Imagina que ele tem que levantar de madrugada para trocar as fraldas do meu netinho, fazer o café da manhã, arrumar a casa, lavar a louça, recolher o lixo e ainda tem que fazer a faxina! E depois de tudo isso ainda sai para trabalhar em silêncio, para sustentar a preguiçosa, da minha nora.
Lá no passado, no final dos anos 70, propriamente 1979, a Globo exibiu um texto de Gilberto Braga, que a critica concluiu ser um divisor de aguas na teledramaturgia. A novela em questão era dancing Days. Travava o embate de duas irmãs, vividas por Sonia Braga e Joana Fomm, Julia Matos e Yolanda Pratini. A segunda cria a filha da irmã que havia sido condenada a prisão e ao retornar há a disputa pelo amor da então jovem Gloria Pires.
Mais tarde Joana Fomm regressa as telas como Perpétua, e sua incessante vontade de destruir Tieta, irmã legitima, a qual nutria inveja doentia. E assim, foram, Odete Roitman e Celina, Raquel e Ruth e tantas outras, mas nenhuma delas até hoje deu tanta veracidade para um personagem de irmãs como Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcelos.
Confesso que torci o nariz para as duas quando as vi anunciada. Achei uma escolha fraca, por que tinha preconceito com as ambas, devido a personagens passados. Mas me curvo ao talento das duas, e a incrível direção que fez de um texto magnifico a quase verdade de uma ficção.
Quando se fala em “A Vida da Gente” faz-se imediatamente uma ponte a Manoel Carlos e suas histórias do cotidiano, só que dessa vez, com a mão certeira de uma autora estreante ( com um texto assinado por ela, e não coadjuvante de algum figurão). Licia Manzo conseguiu assegurar um entretenimento as 18:00 hs quase impossível para um autor que sucedeu o campeão de audiência do ano de 2011, Cordel Encantado.
Marjorie e Fernanda deram vida à trama, claro que acompanhada de grandes atores para sustenta-las como protagonistas. A serenidade de Tiago Lacerda, Nicete Bruno e a magnifica personagem de Ana Beatriz Nogueira, e também a pequena Jesuela Moro ( Julia) foram capazes de costurar um enredo que desse as duas a capacidade de soltar-se e serem criveis. Do acidente que deixa Ana em coma a cirurgia da pequena Julia no penúltimo capitulo, a novela foi perfeita, calma, e emocionante.
Difícil criticar algum momento entre as duas, difícil optar em qual era a certa, em qual merece no ultimo capitulo ficar com Rodrigo, o amor de infância e de vida adulta das duas. A Vida da Gente é apenas uma ficção, que esfrega na cara de tantos, problemas familiares escondidos, guardados a sete chaves, ocultados dentro de armários. Uma mãe que detesta sua filha, por que acredita que a imperfeição física fez dela a uma perdedora.
Em contra partida a opressão a uma garota talentosa que pouco viveu, por que foi vitima dessa mesma mãe enlouquecida e mal amada.
É uma pena que Licia não esteve num horário nobre, que pudesse ser assistida por parte do publico. O horaria das 18:00 hs é complicado pra todos nós. Mesmo assim, nos últimos tempos acompanhei, e senti necessidade de dizer que ambas as atrizes ganharam minha admiração, meu respeito, e que possam num futuro repetir atuações como essa.
Jayme Monjardim é como Daniel Filho, dificilmente algo que passem em suas mãos não emocionem o publico.
Não aguento mais essa coisa de “ai ai , se eu te pego” ou “nossa, nossa, delicia”. Incrível como essa modinha ta demorando pra passar. Como escutei de um comediante outro dia, isso acaba com as interjeições que precisamos usar no dia a dia, p0or que a cada vez que se espanta com algo e diz “nossa”, vem um bobão e completa, nossa, nossa, delicia...e bla bla bla.
Não vou dizer que o povo seja burro, mas pelo amor de Deus, chega com isso. Já não bastam os “primeiramente”, os “concerteza” agora o bom “nossa” também está corrompido.
Daqui a pouco não sobram mais interjeições na gramatica pra se expressa os sentimentos. Tudo vira musiquinha chata. Esse tal Michel Teló ( que não tenho nada contra, por que sinceramente nunca parei pra ouvir) podia vir com uma musica mais inteligente. Algo que engrandecesse o cancioneiro brasileiro.
Pô, na época do é o tchan, se você pedia uma garrafa de alguma coisa, não aparecia um coro cantando “é na boquinha da garraffaaaa....ordinária”. O povo entendia que musica de baixo nível era pra ser cantada em locais de baixo nível. Agora não, essa onda sertanejo universitário ( que é pra humilhar as duplas que nem primário tem), forro não sei das quantas e funk do tigrão, do hipopótamo, da paca e das mulheres comestíveis assolam a nossa língua portuguesa com frases e expressões, que pasmem, acabam virando verbete em dicionário. Só em terras tupiniquins isso acontece.
Você vê um Luan “vesguinho” Santana se contorcendo de cólicas no palco cantando como se segurasse um peido molhado, com aquela voz tremida, e as meninas berrando descontroladas, enquanto uma Marisa Monte calma pára em frente a um microfone e canta, transcende, transfigura e penetra a alma de quem está ouvindo. Isso é cantar!!!
A musica “Depois” do novo Cd é um poema, é uma história vivida por 100% dos casais. Quando ouvi, na primeira vez já gostei. Por isso que não ouço radio no carro enquanto dirijo. Ao me aparece um Michel da vida, ou uma Rihanna espancada, mulher de bandido que apanha e volta com o cara. Não. Se é pra ouvir cafajeste, prefiro o Wando, o AGP, rs rs rs.
Quero virar dono de indústria fonográfica e acabar com a má qualidade da nossa MPB. Se uma Susana Vieira viesse a mim dizendo que ia gravar um cd, dava a ela dois potes de corega, um pacote de fraldão e mandava pro bingo. Para com isso, pensa que é bonito cantar mal? Dercy era péssima, mas pelo menos cantava “ A perereca da vizinha” e não “ Per amore”.
Só aguenta a Susaninha J.L. na pele de Dani Calabreza, impagável...assistam:
As histórias de amor sempre me emocionaram, por que desde pequeno que a TV, o cinema fazem parte da minha vida. Aprendi a entender e distinguir as formas mais belas do amor. Hoje concluo que a palavra amor está ligada diretamente a outra, o sacrifício. Antagônico do ódio, o amor é nada mais do que a abnegação e desprendimento em prol de outro.
Em 1936 Eduardo VIII, Rei da Inglaterra abdica do trono em prol de sua amada. No documento de renuncia diz:
Não ignorais as razões que me levaram a renunciar ao trono. Deveis crer em mim quando afirmo que cheguei à conclusão de que seria impossível suportar o pesado fardo de tantas responsabilidades, sem o auxílio e o apoio da mulher a quem amo.
Há como negar esse sacrifício em favor de um amor rejeitado por todos? Eduardo VIII casou-se tempo depois com Wallis Simpson e morreu tentando que a família real dedicasse a sua esposa um titulo de “Alteza Real”.
Podemos vagar pela ficção e nos depararmos com uma princesa Fiona, que em sacrifício ao amor eterno, rejeita uma forma física perfeita, abre mão da sua beleza eterna por um amor monstruoso. Para ela o amor não estava ligado a aparência, e sim ao sentimento mais profundo que conhecia.
Assim encontramos as mais variadas histórias de amor por onde passamos. Verdadeiras, fictícias, mas em cada uma se analisada veremos que para que se obtenha a felicidade, é necessário abrir mão de algumas coisas, de se entregar aquele sentimento sem perder a noção de quem é. Dar ao outro um pouco de si, ou muito, dependerá do retorno. Não sou a favor da total abnegação. Transformar-se por outra pessoa, descaracterizar-se não fará com que esse amor dure. Na verdade, quanto mais se doa sem retorno, maiores as chances desse amor se transformar em cobrança.
Não se pode julgar o sentimento alheio, pode-se sim analisa-lo pelo modo como age, como retribui aos cuidados, mas algumas vezes é inerente e perceptível o peso da balança. Amar sem ser amado é correr num campo escuro, sem saber o que há pela frente. Uma hora chocar-se-á com uma arvore. O pior do amor, é amar sozinho.
No filme “Os Descendentes” o personagem de George Clooney vive os últimos dias de vida de sua esposa, linda, amada por todos, mas que escondia dele verdades que o destruíram. Mesmo assim nos últimos suspiros de vida, ele a beija e diz:
Adeus, Elizabeth;
Adeus, meu amor;
Minha amiga;
Minha dor, minha alegria;
Adeus;
Adeus;
Adeus.
Compreender e se desprender de orgulhos pessoais pelo amor que se tem por outro é difícil. Uma lição de vida, de como se deve agir quando se ama de verdade. Sem acusações, sem desrespeitar os momentos felizes que viveram juntos. Amar sem cobrar, compreendendo o outro, seus motivos, suas fraquezas, necessidades, medos, erros, acertos. Matt King, o personagem de Clooney é uma inspiração de amor verdadeiro.
Enxergar o outro é o primeiro passo para que se ame. Não adianta insistir numa relação onde uma das partes não compreende de forma sincera a outra. A única maneira de se perceber isso é estar de fora. Pra que se viva intensamente um amor, é necessário conhecer o verdadeiro significado do perdão. Amor existe de formas múltiplas, e até hoje o único amor incondicional que já conheci, são os das mães pelos filhos. As únicas que sabem, compreendem e aceitam os erros.
Amemos sem esperar que a outra pessoa se destitua da vida para agradar-nos. Isso não é amor, é despotismo.
Uma coisa que a vida traz e a idade vai completando é a capacidade de entender o ser humano, de enxergar além daquilo que é a pessoa. Pequenos gestos, pequenas atitudes, algumas palavras e pronto, imediatamente se compreende como alguém funciona.
Apesar de escrever pouco hoje, continuo um observador das atitudes humanas, por que sempre o fiz como base para meus contos e novelas. Um dia isso tudo sai da tela do computador, tenho certeza, então todos poderão ver como minha mente é fértil. Não estou aqui fazendo comercial da minha pessoa, apenas querendo dizer que eu compreendo os outros. Mesmo que julguem indecifráveis.
Muitos anos atrás um amigo, que hoje infelizmente perdi o contato, relatava uma decepção que havia tido com um relacionamento. Havia passado anos com uma pessoa e no final ouviu dela que era um sugar daddy. Na época não entendi ao certo essa expressão por que não tinha envolvimento com a vida sentimental dele, éramos amigos de bater papo, de fazer piada, e ambos não se interessavam com as respectivas vidas pessoais. Ele ficou abalado com isso, e aos poucos desapareceu, acho até que se deprimiu por conta disso. Aos poucos ele foi sumindo, até que hoje não sei mais por onde anda ou o que faz. Uma pena, por que era uma pessoa de um humor extraordinário.
Hoje talvez, mais velho, entenda através de muitos relatos o verdadeiro significado dessa expressão. Me disseram que ela é usada em relacionamentos gays, mas duvido. Essas pessoas que se aproximam de outras com interesses é comum em todos os lugares. Tenho até exemplos próximos de casais onde o marido é um Sugar Mammy...rs. Nem sei se existe essa expressão. Procurando no google encontrei a seguinte explicação: homem velho que sustenta namorada mais jovem.
Em cada esfera da sociedade existe esse perfil. Não é uma exclusividade da classe rica, muito menos dos velhos ricos. No morro há a periguete que fica com o traficante por que ele pode oferecer algo mais, nas rodas da alta sociedade há velhotas que saem com garotões e lhes dão aquilo que eles precisam, presentes. Até um simples pedreiro, insinua que precisa de alguma coisa em beneficies ao tratamento dispensado a pessoa que esta com ele. É o toma lá da cá.
Mas até onde pessoas assim chegam. Não é fácil enganar a todos o tempo todo, já dizia Abraham Lincoln, então pra que seduzir, enganar, e se fazer de coitadinho se um dia alguém decifrará a pessoa. Mas como dizia uma boa e velha amiga de infância: as pessoas acreditam que os outros não a percebem. Esse é problema.
Lembrei desse meu amigo ontem, vendo a premiação do Oscar, por que ele era fissurado na festa, e por isso senti vontade de escrever sobre ele. Não sei quantas pessoas viveram ou conhecem outras que tenham passado por situações parecidas, de terem sido usadas por um interesse de outrem. Mas como em qualquer desilusão, o dia seguinte pode ser difícil, mas não há nada como o tempo para desvendar mistérios, e facilitar a compreensão de enigmas. Não existe ninguém que seja uma incógnita indecifrável.
Segunda feira de carnaval, dia meio nublado, praia cheia, resolvi sozinho assistir “ Precisamos falar sobre Kevin”, filme baseado na obra homônima da escritora americana Lionel Shriver e adaptado para o cinema por Lynne Ramsey e brilhantemente atuado por Tilda Swinton ( eternamente andrógena). Um porem: assisti em casa, no conforto do lar.
O filme é previsível, por que sabemos o fim, não há como negar. Ingênuo quem assiste achando que algo diferente do que está sendo prenunciado acontecerá. Não, tudo aquilo que se teme, acontece. Mas não é a previsibilidade do filme que conta, e sim o embate de uma mãe e seu filho ( de criança a adolescência) numa guerra de nervos que transborda a tela.
Sente-se o rancor, o ódio, o desespero, a humilhação, o pouco amor, o muito amor, nos olhos e nos gestos de ambos. Tilda é uma veterana brilhante do cinema, que em poucas palavras passa a nós sentimentos compreendidos no papel, mas raramente palpáveis como encontrados no filme. Uma pena não concorrer ao Oscar. Seria merecido.
Para quem acredita ser um drama familiar se engana, vai além disso. Uma mistura de suspense e algumas vezes terror. Um sensação de mal vai tomando conta e nos deixando perplexos com a maneira como Kevin vive com a família. Para quem leu “ Mentes Perigosas” da Escritora Ana Beatriz Barbosa e Silva, onde ela traça perfis psicopáticos, fica até fácil desvendar Kevin.
A fotografia, e a forma como o filme se apresenta, em flashs (nada de flashbacks para entender o passado) e sim cenas aleatórias da vida em família, do romance entre o personagem de Tilda e o marido, da infância de Kevin. Tudo se alinhava numa crescente. Aos poucos conseguimos montar um quebra cabeça de emoções que culminam num “Grand finale” aos moldes de Hannibal Lecter. Muitos tons de vermelho causam impacto, através de uma luz bem colocada, criando um cenário perfeito, que nos atormenta, e nos fazem falar sobre Kevin.
O filme vale a pena, desde que o espectador esteja propicio a compreender o personagem de Tilda. Ela é o fio condutor da história, tudo baseia-se nela. Não li o livro, mas sei que a narrativa é diferente do filme. Nele ela expressa sua preocupação através de cartas ao marido.
Excelentes atuações dos três atores que dão vida a Kevin, do pequeno Rock Duer, passando por Jasper Newell até chegar adolescência com Ezra Miller intocável.
Não costumo falar sobre cenas ou enredo do filme, como não gosto que me contem o final, prefiro apenas dizer que vale a pena, e cada um tira suas próprias conclusões. A capa do livro na época do lançamento no Brasil emoldura muito bem a personalidade de Kevin. No relançamento, colocaram o cartaz do filme. Perde um pouco o impacto.