SABER LER

Ainda hoje lembro de meu diploma de “Eu sei ler”, entregue pela professora da 1° série do primário. Algo que guardei por anos, por que sempre que o via, sentia um pouco da emoção de ser um menino alfabetizado.

A leitura sempre esteve na minha vida. Como dizia um personagem do filme “O Mistério de Irma Vap”: eu lia, eu leio, eu lerei, sou uma pessoa lida...rs rs rs.

Nessas férias a leitura foi uma grande aliada, uma cia agradabilíssima que há muito eu não tinha. Tenho meus livros de cabeceira, mas um tempo para dedicar a devorar um livro rapidamente, ou passar horas viajando nas histórias, eu não tinha há séculos.


Penso comigo: como deve ser a vida de uma pessoa analfabeta, que olha as letras e delas não entendem nada? Às vezes quando olhamos um texto, uma escrita de outra cultura, e nada compreendemos é até engraçado, por que viramos as costas e damos um tchau. Afinal pra que perder tempo em ler japonês, árabe se nossa língua é o português, e não há a necessidade profissional para isso. Mas viver dentro da sua sociedade, da sua cultura, da sua língua sem compreende-la, é triste.

Incrível como ainda hoje, em tempos de internet, de comunicação global em massa, existam pessoas analfabetas ao nosso redor. Ler bem é um privilégio que se adquire com o próprio exercício da leitura. É a musculação do cérebro. Quando se malha numa academia os músculos aparecem, seu físico fica atraente e a autoestima vai à lua. A leitura faz o mesmo com o cérebro, com nossa inteligência. Nos faz mais fascinantes, por que expande o entendimento, a compreensão do todo.

Fui educado numa época em que ainda vigorava o ensino imposto pelo regime militar. Cantava-se o hino nacional antes de entrar em aula, respeitava-se o professor dentro de sala de aula como um ser supremo, e repetia-se de ano, se não estudasse. Porem o índice de analfabetismo naquela época era muito maior.

Corrijam-me professores se errar no que digo, mas a transformação do ensino no país irá gerar um futuro com baixos índices de analfabetismo, mas ao mesmo tempo uma sociedade de pessoas que não sabem interpretar o que leem e escrevem. Vejo os jovens de hoje escreverem mal, lerem de uma forma vergonhosa, e no final não saberem explicar o que acabaram de ver. Isso tudo agregado a escrita terrível que adquiriram com os sites de relacionamento na internet, onde o “qu” foi trocado pelo “k” em todas as palavras e sentenças além de outros absurdos que não me recordo.
Fico feliz pela educação que tive, e lamento a dos meus sobrinhos, que mesmo estando em bons colégios não chega a 30% do que aprendi na idade deles. Éramos educados 50% pelos pais em casa, e 50% pela escola, onde o respeito pelo professor era quase medo. Como hoje é proibido até chamar atenção de um tagarela em sala de aula, assim temos jovens educados pela metade. Estamos piorando as gerações futuras, que alias são contabilizadas de 6 em 6 anos agora, pelo avanço indiscriminado das culturas de hoje.

Ler é uma dadiva, entender o que se lê é um presente nos dado com apreço. Se tivesse o poder de rever a educação no país, voltaria ao modelo dos anos 80, com um e outro ajuste, e assim teria certeza que no futuro, jovens e crianças saberiam mais do que lhes são ensinados hoje.

Abração e boa terça a todos.

8 comentários:

Paulo Braccini disse...

assino em baixo ... a política educacional brasileira passou a ser medida tão somente pelo número de escolas, de matrículas, de pessoas q aprendem juntar o B com o A e a assinar o nome ... e saem por aí alardeando as conquistas ... as consequências já podem ser sentidas a toda ...

bjão

;-)

Edu disse...

Amém!!!!

Embora não possamos conter os "avanços" da Linguística (ou preferiria estar falando Vossa Mercê?), tem coisa que não dá. E o pior é a interpretação de texto, praticamente nula hoje em dia. :-S

Beijo!

Paula Barros disse...

Concorco com você com relação a educação, o nível do aprendizado hoje em dia. Quanto a redação de volta das férias eu até gostava.

abraço

Letícia Cunha disse...

Mesmo sendo jovem, tendo terminado os estudos recentemente e estando em busca de uma vaga numa universidade federal, sei o quanto o ensino está defasado. Português para mim deveria ser a matéria mais ensinada, porque é dele que as outras dependem, não adianta você saber fazer as contas se não souber ler e interpretar o texto do exercício. E como trabalhar sem escrever e ler corretamente? Como viver analfabeto? Assim como é lastimável que ainda existam pessoas analfabetas, também o é no nível de ensino atual, no qual não se pode reprovar um aluno e muito menos chamar sua atenção. Embora nova, eu também fui educada em escolas que prezam pela educação propriamente dita, mas reconheço que poucos são os que tem essa oportunidade e a aproveitam como deveria ser. Acredito que poderia ter aproveitado até um pouco mais, maas, acho que esse tipo de responsabilidade e visão de futuro ainda não tinha chegado a minha mente. rs
Ontem mesmo fiz uma redação no vestibular da UFRGS cujo tema era a desvalorização do professor, e lógico, esse é um tema que abrange para o meio educacional em geral.
Parabéns mais uma vez pelos seus textos e temas, te admiro bastante.
Beijinhos, : )

Tathiana disse...

Mesmo minha irmã que teve uma alfabetização deficiente e tinha dificuldades (hoje achamos que era dislexia, mas na época não foi diagnosticado) conseguiu vencer os obstáculos com um incentivo muito simples que dei a ela: ler! Ler, ler e ler. Hoje ela é advogada. E ótima advogada.
Beijos.

Lua Nova disse...

Olá, meu caro Rafael.
Realmente é uma pena a gente constatar essa mediocridade no ensino, principalmente porque todos sabemos que da educação depende o fato de termos ou não um povo composto de cidadãos. Infelizmente, as crianças saem dos colégios sabendo o necessário para que o governo diga que este é um "país de todos". Enfim, falar sobre isso me irrita muito. Imagine que tive que passar meus filhos para escola pública por problemas financeiros. Numa certa época, tive que assistir aula dentro da classe da minha filha para ajudar a controlar o comportamento dos alunos. Um verdadeiro absurdo. Mas acho que tudo isso faz parte do mesmo círculo vicioso. Falta de educação de qualidade, falta de princípios, falta de limites, falta de presença dos pais... E a crise na educação já ultrapassou a barreira do ensino público.
Um ótimo texto, moço, como sempre.
Beijokas.

Le Voyeur disse...

concordo.
em genero, numero e grau!!!

bjs do voy

Edilson Cravo disse...

Querido Rafael:

Bom retorno. Ler é uma dádiva, é por este motivo que leio desesperadamente(rss). Abraços e linda semana.