QUE TIPO DE FILHO VOCÊ PREFERE?

Não existe hoje uma família brasileira que não tenha em seu meio algum jovem com problemas relacionados ao álcool, droga, jogo ou qualquer outro mal que destrua um lar.

Camufla-se a ideia de que é apenas coisa da “juventude”. Não é. O alcoolismo está sim presente na vida da molecada mais forte do que os pais imaginam. Já falei sobre esse tema por aqui e não me repetirei. Toquei no assunto por outros motivos.

Assistia a um programa de TV acompanhado de um pessoal esses dias quando um menino de mais ou menos 14 anos apareceu dizendo ser fã da Britney Spears ao ponto de postar vários vídeos no You Tube com coreografias da cantora. Estava junto da mãe, que o olhava orgulhosa.

Não houve criticas da parte de ninguém. Alguns olhares constrangidos e no fim a conclusão unanime: Prefiro um filho gay a um filho com problemas com álcool.

Ontem vendo imagens da parada gay de SP, que acredito desnecessária em grande parte, percebi que as pessoas encaram a homossexualidade masculina com mais tolerância do que a feminina. Há certo preconceito em relação às lesbicas. Percebo isso pelas pessoas com quem convivo. Há uma forma mais amena quando se trata de um gay jovem, parece que as mães veem o garoto afeminado com um olhar melancólico, mas quando se viram para as meninas o olhar é de reprovação como se dissessem: você faz isso por que quer, sem vergonha!!! Assim que tenho enxergado a situação.

Jamais deveríamos comparar jovens com problemas de drogas (seja ela qual for) a outros de tendências homossexuais. Fazer isso é o mesmo que afirmar ser o gay um doente. Aí está o ponto crucial a se combater. Homofobia não está só naquele idiota evangélico que grita aos quatro ventos que todos irão para o inferno. Está dentro das casas. Uma mãe suporta a ideia do filho da vizinha ser gay, mas quando descobre o seu filho, o drama se torna insuportável.

Quando digo que manifestações como a de ontem em São Paulo não ajudam muito, é por que sei o quanto a sociedade é hipócrita. Riem das pantomimas que alguns gays fazem na avenida. Divertem-se com as performances de algumas drag queens, mas sempre imaginando que o seu rebento dorme viril, másculo no quarto ao lado. O filho hetero que lhes dará netos um dia.

Os programas de TV, sejam eles direcionados a qual publico, não escondem mais os gays. Parece que virou moda. Há um núcleo de gays na novela das 9, lesbicas se beijando no canal do Baú da Felicidade, gente tirando Agnaldo Timóteo do armário em publico. Isso é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que as pessoas que comandam a TV aberta querem que o povo se acostume com a ideia de que há diversidade entre nós, eles não mostram a verdade na sua essência. Há algo camuflado, escondido, e sempre a ideia de ser errado. Não existe veracidade em nada que mostram.

É um passo para democratização dos costumes, das preferencias? Sei lá. Vejo tudo como um grande circo. Colocam os gays, os anões, as mulheres barbadas no centro do picadeiro, como gente estranha para caçoarmos nas tardes de domingo. Enquanto isso o Gugu dá pernas mecânicas para um garoto que nasceu com má formação e todos acham que os problemas estão resolvidos.

Volto então ao começo do texto e a opinião das pessoas. Prefiro um filho gay, do que um alcoólatra ou que tenha nascido com problemas mecânicos. Eu na verdade prefiro “filhos” venham eles da forma que for. Sou da opinião que tudo nessa vida tem um proposito. Só não admitiria um filho alcoólatra, por que aí seria a certeza de que falhei na sua orientação.

Boa semana a todos.

7 comentários:

Marcia disse...

oi AMigo,
ótimo e polêmico texto. Também preferiria um filho gay a um filho doente seja qual doença for, alcoolismo ou deficiências congênitas ou não, já que ser gay não é ser doente.

O que me choca com a questão da homossexualidade é a forma como é tratada, seja pela sociedade dita conservadora, seja pelos próprios homossexuais.

Sou pela liberdade, pelo amor livre em todas as suas formas, e sou sobretudo pelo respeito. Acho que a forma como heteros e homos vem tratando toda essa questão de preconceito e homofobia é equivocada.

É preciso educar a sociedade e não criar uma classe especial de pessoas. Em minha opinião isso cria uma exclusão e preconceitos maiores.

Condeno excessos de que lado seja. A lei já reprime toda forma de preconceito e violência, seja contra negros, crianças, loiros, japoneses, ou gays ou qualquer outro ser humano.

De outro lado, macular e profanar símbolos da igreja católica, foi deselegante, debochado, de mau gosto, e sobretudo preconceituoso. Ou seja, está tudo errado... de um lado e de outro também.

Nossa sociedade tem muito que aprender ainda sobre respeito às diferenças, ao próximo e sobretudo tolerância, que deve ser uma faca com dois cortes, e não de um lado só.

Ótima semana com muitas reflexões cnstrutivas!

beijos,

Ma

Paulo Braccini - Bratz disse...

Querido, tudo na vida é um processo ... portanto vejo com otimismo toda e qualquer forma q leve a intolerância para longe ... nada se conquista da noite para o dia e nem sem lutas ... portanto toda e qualquer forma de visibilidade e de se tentar uma compreensão do q seja diversidade é válida ...

Filhos! não os tenho e não os quero! #FATO ... Filhos não é trepar e fazê-los ... é CRIÁ-LOS ... e o q se vê hoje é a mais absoluta falta de responsabilidade e de competência para tal ... nesta incompetência eu me incluo ...

Edu disse...

Acho que existe uma urgência muito grande, talvez causada pela exposição toda e por demais países aprovando casamentos/adoções e tudo mais. Isso faz com que a gente atropele e se atropele em algumas coisas. Mas também os ditos direitos que nos são negados já estão mais do que na hora de serem garantidos. Por outro lado, ter direitos não significa mudar a mentalidade de um povo. Isso leva bem mais tempo e educação - e nela, a educação, somos bem falhos. Seja em casa, seja na escola. Daí as discrepâncias.

Mas se eu fosse ter um filho, preferia tudo menos alcoólatra ou viciado em drogas. Porque são problemas muito complicados de ajudar e tratar.

Lobo disse...

E não pode ser o menino fã de Britney hétero? Conheço uns héteros que dão cada pinta... E olha que eu também conheço muita gente que se finge gay pra pegar mulher, e o mais impressionante é que funciona... Gosto definitivamente não se deve ser usado como parâmetro pra definir sexualidade de ninguém XD.

A partir dos meus olhos, também vejo justamente o contrário: que a homossexualidade feminina é vista de forma muito mais amena. A homossexualidade masculina é um tabu muito grande para os homens e os conceitos de masculinidade de engalfinham na nossa cabeça desde sempre. Uma frase que guardo comigo desde que ouvi é que se uma mulher diz que teve uma experiência em algum momento da vida com uma mulher, muito homem acha graça e até se excita. Se um homem diz que teve uma experiência com outro homem, vai ser taxado de viado o resto da vida.

Palhaçada? Sim, existe muito de palhaçada. Mas também não podemos negar que essa visibilidade finalmente está nos dando o espaço para reclamar nosso direitos negados, que são muitos. Aí, é só uma questão de saber aproveitar.

Sobre filhos, até então, não acredito que alcoolismo ou tendência a uso de drogas sejam determinados geneticamente, então acho que são coisas que não aceitaria na minha casa de forma alguma.

Dama de Cinzas disse...

Realmente, post polêmico, comentários polêmicos e não estou querendo criar mais polêmica ainda... rs

Quando tiver um tempo converso contigo pessoalmente.

Mas definitivamente, alcoolismo e vício de drogas não é coisa de educação, pode acontecer na casa de qualquer um. Meus pais nunca permitiram que eu bebesse em casa. Sempre tivemos orientação para não nos envolvermos com drogas. Eu me envolvi e meu irmão sempre foi "caretão" que nunca nem pensou em nada disso.

Então seria mesmo educação que resolveria isso? Será que pais podem evitar totalmente que seus filhos se viciem. Como viciada que fui, te digo que não. Minha mãe me prendeu com um cadeado dentro de casa, fez tudo que podia para me libertar do vicio, mas só saí quando quis, da mesma forma que quis entrar.

Viu, acabei criando mais polêmica... rs

Beijocas

Letícia Cunha disse...

Como de costume, aprovo praticamente tudo o que foi dito por você!
Com toda a certeza, é um tema muito polêmico, mas mesmo assim não podemos nos omitir diante dele, afinal, é a nossa realidade: aprender a conviver em sociedade, com todas as diferenças existentes entre as pessoas - e eis uma problemática social!
Ninguém escolhe o filho que vai ter, mas escolhemos como iremos educá-lo, e essa oportunidade não é tão simples, na verdade, a maior dificuldade e o maior problema para muitas pessoas é justamente no que diz respeito a criação de um filho. Acredito que os homossexuais nascem assim e pronto, não tem como modificá-los, é algo natural, portanto, devemos aprender a lidar com tal situação da melhor maneira possível. Também dizem alguns cientistas que algumas pessoas já nascem com predisposição genética para o vício, seja com álcool ou outros tipos de drogas, e assim, mesmo que os pais façam o possível e o impossível para que o filho não se vicie, pode ser que não seja o suficiente. Como explicar pais que nunca se envolveram com drogas ou álcool, educar os filhos da melhor maneira possível, com espaço para discussões e diálogos, e mesmo assim terem um filho viciado?
Acho que essa "conversa" vai muito além de simples "análises" que eu possa fazer, alguns acontecimentos só dão as caras porque vários fatores contribuem para o resultado (talvez não satisfatório para alguns)!
Enfim, o melhor que temos a fazer é educar nossos filhos, e nos educarmos, para que todos saibam viver em sociedade, com as idiossincrasias de cada pessoa, até mesmo porque a família é um dos alicerces da sociedade, um componente essencial na formação de verdadeiros humanos. E, para finalizar, o respeito não pode ser uma utopia, acho que todos devem respeitar e serem respeitados!
Obs.: Eu não tenho filhos, nem sei quando/se pretendo ter, portanto, apenas disse minha opinião acerca dos fatos...
Abraço!

•*♥*• Sanzinha •*♥*• disse...

"Eu na verdade prefiro filhos, venham eles da forma que for"

Diante dessa afirmação, meu querido, não tenho mais nada a dizer. Vc já disse tudo.
Te admiro muito!

Beijo, anjo.