A PROFISSÃO MAIS ANTIGA....

Minha mente sempre foi imaginativa e na infância transbordava fantasias sobre assuntos que não compreendia. Não entendia o fato de algumas mulheres serem rechaçadas e banidas da sociedade por que as intitulavam “mulheres de vida fácil”.

Mais tarde descobri que as damas da noite na verdade eram prostitutas ou putas, como a linguagem chula nos permite. E daí em diante não digo que criei fascínio pela figura, mas desenvolvi sim um respeito por essas senhoras desprovidas de amor próprio que sedem sua intimidade a homens devassos que as usam em troca de um pagamento ínfimo no final do êxtase.

Poético? Nada!!! A vida dessas coitadas é sacrifício puro. Alguns documentários mostram o quanto depravado é o ser humano, e elas são objetos de “descarrego” desse povo que não se expõe perante a família, mas no submundo exorcizam seus demônios com as únicas que lhes ouvem, as putas.

Já ouvi profissionais da suade dizendo que as prostitutas são um bem a humanidade por que servem de estopim para homens que talvez tornar-se-iam criminosos se não descarregassem suas tensões na cama de uma meretriz.

O cinema em certos aspectos tratou a situação com glamour como vemos em Gilda, ou mesmo na pele de Julia Roberts em “ Uma linda Mulher”, quem sabe possa até ir além das décadas e chamar Hilda Furacão no assunto. No Brasil uma jovem classe media intitulada Bruna Surfistinha carregou milhares de espectadores ao cinema para ver o quanto ela “distribuía” seu afeto para os homens, e acabou virando celebridade, empresaria de sucesso. Alguns conservadores mortos devem rolar em seus caixões.

Por que falar de “putas” no blog? Sei lá, ao escutar Gardênia de Filipe Cato, me veio à vontade de discursar sobre a figura quase mitológica da mulher de vida fácil. Caricatas, muitas vezes jogadas na vida pelos próprios pais, vivem a margem da sociedade, desrespeitadas, viciadas, e mesmo assim prestando apoio a uma camada significativa da sociedade.

Hoje existem as garotas de programa em álbuns sensuais, que vendem-se por valores altíssimos, com fácil acesso pela internet. Trabalham na TV, fazem desfiles, apresentam programas, e estão sentadas do lado de um universitário nerd, que em casa se acaba com revistas de putas inacessíveis. Vire pro lado guri, às vezes está mais perto do que se imagina, só não sei se financeiramente tu vai poder bancar esse luxo!

Há algumas décadas levar uma mulher que produz filmes pornôs para a TV e coloca-la em horário nobre, como no BBB12 era inimaginável. Hoje atores e atrizes saltam para a pornografia e voltam para o mundo normal como se tivessem feito apenas um documentário em prol da vida das focas. Apesar de nutrir simpatia pelas prostitutas, não me utilizei delas na adolescência, e nem na vida adulta. Ainda acho complicado pagar por intimidade, se bem que na obra de Nelson Rodrigues encontramos tantas donas de casa que poderiam ser taxadas de prostitutas que talvez até fosse fácil deixar as notas no criado mudo de um quarto barato.

Dercy foi descriminada, expulsa de casa, sem ao menos ter deitado com um homem, como se viu na minissérie em sua homenagem. No passado, quando meus avós eram vivos, ouvia coisas abomináveis sobre prostitutas e tenho certeza que eram mais fantasias criadas pela igreja do que propriamente verdades.

Deixem as pobres trabalharem. É muito pior uma mulher que rouba o marido da outra do que a prostituta que muitas vezes realiza fantasias devassas dos maridos “santinhos” que sentam-se aos domingos com a família reunida em largos sorrisos de satisfação.

O mundo é podre, e mesmo assim ainda acredito na humanidade...rs

Abraço e ótima quinta feira.

3 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

tenho uma admiração toda especial por elas, embora nunca tenha utilizado de seus favores ... [nem M nem H] ... mas em fim ... o mundo underground normalmente me fascina muito, um fetiche talvez ... escutando tb Gardênia Branca, uma das peças mais primorosas do Filipe Catto, tb me fiquei a pensar sobre este fascínio e comentei com o Elian ...

bjão

Karina disse...

Bem, o tema já rendeu algumas obras muito boas, dentre elas "Folhetim", de Chico Buarque. Tem como não gostar dessa música? Lembrei-me agora de "Irma La Douce" também...

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

seu fofo!