AINDA TEMOS INTIMIDADE?

Houve uma época, na qual vivi a infância, que as pessoas tratavam o “sexo” de uma forma mais puritana. Em casa apenas insinuava-se que alguém tinha “intimidades” com outra pessoa, e muitas vezes ouvia-se: fulana está dormindo com sicrano.

Não tinha essa coisa de que a menina ficou com um cara, trepou, ou que o moleque comeu não sei quem. Essas formas pejorativas e vulgares não existiam nas casas. Era uma linguagem de rua, de filme de Sonia Braga dirigido por algum cara que distorcia obras como as de Nelson Rodrigues, transformando um texto brilhante numa pornochanchada barata.

As pessoas “dormiam” com outras, mesmo que fossem em casos extraconjugais. Até numa devassidão existia um recato ao tratar o assunto. Essa banalização do sexo trouxe benefícios e malefícios. Prezo a forma como a mulher de hoje encara o sexo. Mais aberta, com irrestritos pudores, e são felizes, por que usufruem de algo conquistado a duras penas. Mas também vejo a facilidade que usurpa o romantismo. Encontram-se na balada, transam e tchau. Podem dizer o que for, mas essa forma de encarar a vida não é real. Corto uma mão fora se a mulher não espera que aquele cara a quem “se entregou” na véspera telefone, mande uma mensagem ou seja la o que for. Claro que ela não espera flores, isso nem a avó dela acredita mais existir.

Os jovens começam a vida cedo. Aos doze já apostam quantos beijam numa baladinha que há poucos anos atrás era encabeçada por algum palhaço bozo numa matinê de clube. Hoje tem gelo seco, batida forte e uma ou outra droga que escapam aos olhos de seguranças três vezes maiores que o publico do espaço.

Minha sobrinha de dezesseis anos frequenta baladas aqui em Campinas que permitem a entrada de adolescentes de 14 a 17 anos, que começam as 17:00 e terminam as 21:00 hs. Acho sadio, por que se vê na porta pais deixando os filhos (envergonhados) que se retiram só quando percebem que a “criança” entrou na boate. La dentro servem refrigerante, suco, agua e frango frito. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...não entendo a questão do frango frito, mas é tão pra criança isso, que não sei como pra determinados frequentadores não há uma mamadeira de neston na geladeira, deixado por alguma mãe zelosa. Não sei o que acontece la dentro, nunca perguntei, mas acredito que ficam aos beijos, por que nessa idade até a mão boba é bobinha.

Ao deixa-la numa boate dessas, percebi um enorme, mas gigantesco numero de jovens gays. Meninos e meninas. Afirmo que para cada 10 adolescentes 7 tinham aparência afeminada ou masculinizada (meninas lesbicas assumidas). Isso me preocupa, por que com tantos jovens homossexuais, e com poucas politicas de proteção, acho que em breve a barbárie da homofobia será muito maior.

Esses jovens infelizmente não “dormirão” com outros, por que linguagem mudou, e o conceito de intimidade também. Não  sabem que dormir com outra pessoa, na forma literal da palavra muitas vezes gera uma intimidade maior, uma comunhão instantânea e inexplicável que transcende o sexo. Isso que faz e traz o sentimento de respeito pelo outro. O sexo causal não é respeitoso, cada um está ali para o seu prazer pessoal, e acabando, viram-se e saem desejando que ambos se tornem pizza ou lasanhas, silenciosas para matar a larica do sexo.

Ainda bem que sou de uma geração que viu e ainda entendia o que era ser “romântico” sem a pecha de “afeminado”. Complicado explicar para um jovem a necessidade de flores para uma mulher. E de explicar para uma garota qual o sentido dela receber flores.

O mundo evolui, é necessário acompanhar, mas às vezes, da uma saudade de quando tudo era mais simples.

Abração e ótima terça feira a todos.


3 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

mas é assim mesmo querido ... lembra qdo nossos pais pensavam e falavam a mesma coisa para nós e sobre nós e nossos costumes? cada um no seu tempo ... mas q dá saudade isto dá ...

ps: certa vez em Sampa, um domingo à tarde eu presenciei uma cena fantástica ... estava perto de uma boite gay em havia uma matinê ... parou um carro dirigido por um casal de uns 40 e poucos anos ... desceram 04 jovens, duas meninas e dois meninos ... gays e lésbicas é claro ... o pai e a mãe tb descem, beijam um deles q era filho, beijam uma das meninas q era sobrinha e abraçam seus respectivos namorado e namorada ... ao final recomendam ... cuidado ... mais tarde voltamos para buscá-los ... o mundo não está de todo perdido e sem horizontes ...

bjão

E ヅ disse...

O que eu acho estranho é que é justamente a nossa geração, que soube "como se comportar", que não está educando essa juventude. Mas pode ser algo cíclico também - de repente logo vira moda a "virgindade" outra vez. O negócio é acompanhar e torcer/trabalhar pelo melhor!

Dona Pimenta disse...

Oii amigo!!! Lá venho eu de novo!! rsrrs
Olha, seria mt bom que textos assim fossem disseminados.
É esse comportamento que faz com que cada vez menos, acreditemos em romantismo. Eu mesma, ainda estou duvidando um pouco. É claro que, daqui há um tempo, vou voltar a sonhar em encontrar um cara legal, que me "dê flores", que passeie cmg pela rua, a pé, que fique em casa assistindo um filme, e que faça daquele momento , inesquecível. Que me faça rir, que me faça suspirar só de lembrar o quanto foi gostoso estar com ele. Que me deixe louca com um sussurro... Mas... Infelizmente, a realidade ainda é outra.
A juventude está crescendo sem valores. Tudo é material. Ninguém tem alma, ninguém tem sentimentos.
É uma pena. As crianças estão perdendo sua inocência cada vez mais, e o pior, sem saber o real sentido da coisa.
Adorei!
Mil bjs!