PROTEÇÃO


Gostei muito dessa foto que vi postada no Facebook ontem. Há tanto simbolismo nela que se torna tocante analisa-la. O que mais precisamos desde que somos pequeninos é essa sensação de segurança que as asas da mãe nos dão. Lamento por pessoas que crescem sem essa proteção materna, que não tem asas para se esconder embaixo. Sei que é um diferencial na vida.

Mesmo crescidos, a noção de que há um lugar onde no momento da dor você pode correr e se aninhar é que nos dá impressão de conforto. Mas não é bem assim. Acredito que após a maturidade dos filhos, quando um a um saem de casa pra viverem suas próprias vidas e construírem suas próprias famílias os pais passam a ter outro papel na nossa história. O de alento e alegria, apenas. Não sou favorável de filhos que levam problemas sérios para a casas dos pais depois de terem construído seus próprios lares.

É da natureza social que cada um de nós crie sua independência financeira e sentimental ao longo dos anos, e também é de bom tom que saibamos resolver os nossos próprios problemas sem que sejam despejados nas costas de nossos progenitores, já anciãos e fragilizados. Não acho justo que eles após uma trajetória ( muitas vezes sofrida) no inverno de suas vidas tenham que quebrar a cabeça com problemas que não lhes dizem respeito. Claro que, se pensarmos, as únicas pessoas que podemos contar nessa vida são os pais, por que o amor incondicional faz com que fechem os olhos e se tornem novamente leões em defesa de suas crias. Mas não é justo que eles trabalhem, percam o sono, se estressem por situações que os filhos buscam.

Um casamento desfeito, uma divida ou situação financeira desastrosa são fáceis de contornar com a ajuda dos pais, mas que isso não se torne rotina. Deixar nossos velhinhos viverem o apogeu da sua vida, com tranquilidade e felicidade é o mínimo que possamos fazer para agradecer a boa criação que nos deram. Tenho sempre o cuidado de não expor para os meus pais problemas que sei não poderão solucionar, então pra que contraria-los, pra que levar uma situação que sei, perturbará a vida tranquila deles. Sendo breve no relato, meus pais ficaram sozinhos numa casa grande após o ultimo filho ( eu ) sair pra viver sua própria vida. Angustiados com uma solidão que rondava seus dias, venderam a casa  e se mudaram para um condomínio, com um apartamento menor, que seria o necessário pra um casal de idosos. No inicio me preocupou esse rompimento. Moramos na casa por 35 anos. Difícil para idosos recomeçarem uma vida diferente. Em 5 anos que estão lá,  não poderia estar mais sossegado. Reencontraram amigos da juventude, fizeram novos e vivem felizes, aos cuidados e olhos de centenas de vizinhos. Uma tranquilidade para nós filhos que não tem preço. Admiro a perseverança deles e a vontade de mudar. Hoje meu pai voltou ao oficio de alfaiate, que aprendeu quando jovem, e costura para toda a vizinhança. Algo desnecessário financeiramente, mas que ocupa o dia, e o faz estar sempre antenado, disposto,  e o melhor de tudo, sentindo-se útil. Com esse movimento todo, minha mãe também se ocupa e deixa o que antes era uma solidão anunciada para quem não tem o que fazer.

É difícil envelhecer, muito mais quando ainda há a preocupação com o futuro dos filhos. E que me perdoem os que lerem isso e se identificarem, não direciono a ninguém, apenas faço uma analise pela foto destacada. Não há explicação e desculpa para que joguemos nas costas dos nossos pais idosos os fracassos e derrotas das nossas vidas. Depois de um tempo enxergo isso como um conformismo e uma facilitação. Injusto e desleal fazer com que voltem ao passado, sem as mesmas forças e disposição para resolver problemas gerados pela má administração das nossas vidas.

Nisso não incluo apenas aqueles que já têm idade pra se envergonharem de manipular os pais idosos, falo também dos jovens, dos adolescentes, dos que perpetuam, prorrogam e se fazem de desentendidos, que a vida tá aí, pra ser batalhada. Se não nasceu filho do Eike Batista então, arregace as mangas e corra atrás, por que só politico nesse país fica rico ganhando na loteria.

Abração e ótima quinta feira a todos.




5 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

OMG! este post e esta imagem me angustiaram ... mas claro, o amigo não tem culpa nisto ... de qualquer forma foi bom reviver na alma este acalento de asas tão aconchegantes ...

bjão querido ...

ps: Bratz e Elian te esperam de braços abertos aqui nas Gerais ... em Agosto estarei em Sampa ...

Cesinha disse...

Aquela foto é a minha cara! Gosto de ter as pessoas queridas “debaixo das minhas asas”. O interessante é que eu mesmo sempre quis ser independente. E não sosseguei enquanto não consegui. Meio paradoxal, né... querer a independência ao mesmo tempo que se quer proteger o outro...

Beijos.

Solange disse...

Rafa..

hoje vc relata exatamente a situação em que me encontro..
casa grande, vazia dos filhos que moram em outra cidade, traçando seus caminhos cheios de esperança..
estamos tentando (eu e meus filhos), de todas as formas, convencer meu marido pra mudarmos pra um resort..
até agora.... =/

bjs.Sol

Albuq disse...

Oi Rafael!
Gostei muito do texto e acho essa foto uma coisa linda. Também encaro o aconchego dos meus pais como um lugar para se aninhar, mas problemas que criei eles são meus. Para eles levo o que podemos conversar, dialogar e passar o tempo, coisas que fazem parte da vida, mas não algo que possa inquietar mais.
Muito legal o texto! bjs e ótimo fim de semana!

Heron Xavier disse...

Parabéns pelos 5 anos de blog e pelo novo layout!