ALGUÉM SABE AMAR?

As histórias de amor sempre me emocionaram, por que desde pequeno que a TV, o cinema fazem parte da minha vida. Aprendi a entender e distinguir as formas mais belas do amor. Hoje concluo que a palavra amor está ligada diretamente a outra, o sacrifício. Antagônico do ódio, o amor é nada mais do que a abnegação e desprendimento em prol de outro.

Em 1936 Eduardo VIII, Rei da Inglaterra abdica do trono em prol de sua amada. No documento de renuncia diz: 

Não ignorais as razões que me levaram a renunciar ao trono. Deveis crer em mim quando afirmo que cheguei à conclusão de que seria impossível suportar o pesado fardo de tantas responsabilidades, sem o auxílio e o apoio da mulher a quem amo. 


Há como negar esse sacrifício em favor de um amor rejeitado por todos? Eduardo VIII casou-se tempo depois com Wallis Simpson e morreu tentando que a família real dedicasse a sua esposa um titulo de “Alteza Real”. 

Podemos vagar pela ficção e nos depararmos com uma princesa Fiona, que em sacrifício ao amor eterno, rejeita uma forma física perfeita, abre mão da sua beleza eterna por um amor monstruoso. Para ela o amor não estava ligado a aparência, e sim ao sentimento mais profundo que conhecia. 


Assim encontramos as mais variadas histórias de amor por onde passamos. Verdadeiras, fictícias, mas em cada uma se analisada veremos que para que se obtenha a felicidade, é necessário abrir mão de algumas coisas, de se entregar aquele sentimento sem perder a noção de quem é. Dar ao outro um pouco de si, ou muito, dependerá do retorno. Não sou a favor da total abnegação. Transformar-se por outra pessoa, descaracterizar-se não fará com que esse amor dure. Na verdade, quanto mais se doa sem retorno, maiores as chances desse amor se transformar em cobrança. 

Não se pode julgar o sentimento alheio, pode-se sim analisa-lo pelo modo como age, como retribui aos cuidados, mas algumas vezes é inerente e perceptível o peso da balança. Amar sem ser amado é correr num campo escuro, sem saber o que há pela frente. Uma hora chocar-se-á com uma arvore. O pior do amor, é amar sozinho. 

No filme “Os Descendentes” o personagem de George Clooney vive os últimos dias de vida de sua esposa, linda, amada por todos, mas que escondia dele verdades que o destruíram. Mesmo assim nos últimos suspiros de vida, ele a beija e diz: 

Adeus, Elizabeth; 

Adeus, meu amor; 

Minha amiga; 

Minha dor, minha alegria; 

Adeus; 

Adeus; 

Adeus. 

Compreender e se desprender de orgulhos pessoais pelo amor que se tem por outro é difícil. Uma lição de vida, de como se deve agir quando se ama de verdade. Sem acusações, sem desrespeitar os momentos felizes que viveram juntos. Amar sem cobrar, compreendendo o outro, seus motivos, suas fraquezas, necessidades, medos, erros, acertos. Matt King, o personagem de Clooney é uma inspiração de amor verdadeiro. 


Enxergar o outro é o primeiro passo para que se ame. Não adianta insistir numa relação onde uma das partes não compreende de forma sincera a outra. A única maneira de se perceber isso é estar de fora. Pra que se viva intensamente um amor, é necessário conhecer o verdadeiro significado do perdão. Amor existe de formas múltiplas, e até hoje o único amor incondicional que já conheci, são os das mães pelos filhos. As únicas que sabem, compreendem e aceitam os erros. 

Amemos sem esperar que a outra pessoa se destitua da vida para agradar-nos. Isso não é amor, é despotismo. 

Boa terça feira a todos.

4 comentários:

Cesinha disse...

Lindo o seu texto. Como eu não conheci (ainda) um amor desses, nem me sinto capaz de falar muito. E, pra ser sincero, não sei se gostaria de conhecer.

Abração.

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Tudo perfeito querido principalmente qdo vc afirma q o amor não implica e não deve implicar em abnegação total, em renúncia total, em desfiguração do próprio SER ... aqueles q enveredam por este caminho se anulando em favor do outro deixa de viver e seu amor desaparecerá junto com sua renúncia ... Amor = Eu + Outro EU ... muito cuidado com o tal NÓS!

Dona Pimenta disse...

Oiii "Padinho"!
Seu texto é fenomenal. Ainda não conheci um amor desses... Mas acho q ainda tem tempo rs.
Realmente, qd nos anulamos, querendo agradar o outro, percebemos que, no fundo, nosso companheiro não gosta de nós de verdade, pois quer que sejamos outra pessoa. Eu digo que hoje, qd eu encontrar alguem, tem que ser uma pessoa que me complemente mesmo. Mas não complete, pq completa, eu já sou. Tem que ser uma pessoa que me ame e me aceite com meus defeitos e minhas virtudes, pois é isso que eu vou querer tb.
Mil bjsss, mais uma vez, arrasou!
Sua afilhada

railer disse...

belíssimas palavras.
aliás, sobre esse amor do rei vai estrear o filme w.e. da madonna nesta sexta. quero muito ver.

infelizmente não existe uma receita pro amor. vai muito da tentativa e erro até uma hora a gente acertar. e mesmo assim a gente tá sempre se ajustando e mudando, crescendo junto.