UM SER ADOLESCENTE

Fui um adolescente muito calado, apesar de nunca ter abandonado meu bom humor. De fazer piada das desgraças pessoais, e dos outros também.
Hoje, vejo que poderia ter sido mais arrojado. Crescer sob o julgo de um irmão opressor, com uma avó que via pecado até num cacho de banana sobre a mesa, e pais meio relapsos, percebo como fez falta um amigo cabeça boa, para ajudar.
Os moleques da minha época não eram muito diferentes. Eram até mais babacas, ou melhor, boçais. Fui criado num bairro onde havia aquele desprendimento de senta-se com uma cadeira na porta de casa e conversar com vizinhos. Hoje, quase inimaginável.
Minha avó citada acima fora criada com todas as pompas e circunstancias, com cursos de etiqueta, com bons livros etc. Mas se apaixonou por um cara com condições financeiras bem abaixo de sua família, mas não se intimidou, casou-se com ele e viveu umas das histórias de amor mais bonitas que conheço. Esse cara era meu avô.
Adolescentes hoje não são preparados culturalmente como no meu tempo. Eu lia muito ( confesso que certa época, odiava), mas a obrigação tornou-se prazer logo que comecei a entender que aquilo não me ocupava espaço, me agregava um saber que os outros não tinham. Quando percebi que a leitura fazia diferença quando escrevia, passei a ter mais vontade de desbravar o mundo literário.
O que percebo hoje é uma dissonância entre “tribos” de adolescentes. O sexo, parece que ficou mais as claras. Não há mais aquela coisa velada, de conversar trancado no quarto, de perguntar a irmã(o) mais velho por que sente vergonha dos pais. De um lado acho isso fenomenal, teremos gerações tão bem resolvidas que será fato, mulheres mais felizes sexualmente. Os meninos continuam os mesmos, engravidam as garotas sem querer, vêem pornografia para acalmar os hormônios e por aí vai.
Mas essa exposição desmedida das meninas, gera um conceito errôneo , como o recente caso das pulseirinhas coloridas. Putz, dei um monte delas a minha sobrinha de 7 anos. Mas o que antigamente era um flerte de olhares, bilhetinhos, conversinhas ao pé do ouvido, hoje é um simples adorno de braço que indica se a menina quer uma bolinada, um beijo, ou se está aberta a sexo. Pô, cadê o romantismo ?




* poucos entendem o humor adolescente



Não sei como se sentem os pais de adolescentes, mas eu estaria em pânico...rs rs rs.
Quem convive com esses adolescentes, que tem entre eles e nós 2 ou 3 gerações, sabe o quanto é divertido ouvi-los falar. Algumas coisas me chocam, pela facilidade com que tratam o tema, outras me divertem demais. Só tenho receio que cresçam vazios, por que a acessibilidade é tão grande, a tantos assuntos ao mesmo tempo, a tanta informação que penso não ser possível decifrar tudo, e então teríamos garotas (os) superficiais.
Enfim, é bom que pais fiquem de olho nessas cabecinhas desmioladas, e os que não são pais, convivam um pouco com essa geração que tá aí, eles revigoram, e nos dão um oxigênio que há muito não respiramos.

abração a todos, bom fim de semana.

10 comentários:

Jarbas disse...

às vezes, ou quase sempre, eu me assusto com esse nova geração.

Serginho Tavares disse...

eu fui um adolescente criado num mundo de adultos onde não havia censura mas tinha uma tia que sabia impor limites e estudei no melhor colégio da cidade
olhando pra trás eu tive sorte em comparação com o que via em volta...


enfim,
crianças e adolescentes são seres do mal
deus ou protege ou larga de vez quando não tem jeito

Robson Schneider disse...

Minha filha mais velha esta entrando na adolescência... tremo só de pensar.
As coisas mudaram muito e como vc bem disse no texto, nada é perfeito né? perde-se de um lado ganha de outro, sobra de outro, enfim...

Boa parte de minha adolescência, confesso: Passei trancado no banheiro hehehe atire-me a primeira pedra hahahahaha

David ®... disse...

Assisti recente mente "As melhores coisas do mundo" que mostra a atual geração de adolescentes. Não encontrei nada que lembrasse minha época. O q significa, pra mim, q a nossa geração, dos 35 em diante, já foi..é história. Parece q nem serve mais de referência pra eles.
Mas confesso q tenho medo do q essa geração é capaz de aprontar no futuro...talvez um mundo mto automatizado, sem graça, sem descobertas interessantes e aleatórias...só consumo ...ai...isso dá uma tese.
bjo e bom final de semana

Guy Franco disse...

Tenho medo de adolescentes e de crianças. Presidiários, com mais de 40 anos, teriam medo de crianças, dessas que soltam pipa, jogam bola na rua. Ah, as crianças da rua ou da quadra do condomínio. Quem não tem medo delas?

Dama de Cinzas disse...

Eu queria ter nascido vinte anos depois do que nasci, certamente minha vida teria sido melhor em muitos aspectos, muitos mesmo!

Odiei a minha adolescência porque achava tudo muito hipócrita e muito escondido, tudo era um não pode isso, não pode aquilo! E principalmente pras meninas era um tormento, ainda mais pra uma menina rebelde como eu... affe!

Se eu tivesse nascido vinte anos mais tarde, encontraria a mesma hipocrisia, ela não vai embora, mas certamente eu poderia ter ousado mais, sem pensar no preço altíssimo que iria pagar!

Beijocas

Andrea Pagano disse...

Rafa,
Fui uma adolescente muito solta, solta demais do que hoje eu gostaria e que deveria, porque até hoje sofro as consequencias desta tal liberdade...
No futuro, sinceramente, gostaria que as minhas filhas tivessem experencias diferentes das minhas e para isso investimos em educação e procuramos cria-la com o hábito de ter compromissos com esporte e artes para que o tempo dela seja bem aproveitado (mente vazia, oficina...),além da educação religiosa, que também começamos a inserir na familia após o nascimento dela...
São formas que encontramos de cercar a cabecinha delas ...
Hoje eu me assusto com as atitudes frias com que os adolescentes tem em relação à vida deles e dos outros!
Bjs e otimo feriado para vc.

Três Egos disse...

Sabe Rafael, eu não me considero desta nova geração, acho que fui, por pouco, salvado dela. Mas ao mesmo tempo, apenas "acho". Fui criado um pouco "mimado", confesso. Sempre estudei em escolas de padre ou freiras, rígidos demais, nunca esqueço da bronca que levei quando fui brincar de esconde-esconde no banheiro quando tinha 7 anos ou quando fomos jogar basquete descalços aos 13 anos na quadra da escola e as freiras mal encaradas nos chamou um por um para dar bronca. Enfim, cresci e, talvez, possa até dizer que sou uma destas crianças de condomínio... rs. Mas a gente aprende de uma certa forma, acho que hoje em dia está tudo muito liberal, então, depende de cada um saber levar a vida. Por exemplo, dos meus irmãos, sou o único que sempre gostou de ler (orgulho da minha mãe... rs). E quando eu era adolescente tinham tanto pessoas "descoladas" quanto pessoas mais "nerds". Mas no meio disto tudo, existem pessoas normais também. Sempre fui daquelas pessoas que sentavam no fundo, mas que conseguia tirar boas notas e não engravidava ninguém... rs. Enfim, eu acredito ainda nisto, quem é que nunca foi revoltado na adolescência? Acho que é uma época de descoberta, não os julgo por pensarem em sexo 24h/dia. Eu mesmo, em uma época mandava meu pai tocar siririca... hehehehehe...

Abraço!!!

Petro disse...

Às vezes esta geração nos ensina mais que nós a ela...mas de quem é a culpa? Não se trata então de culpa, mas de uma séria de elementos que impulsionam a sociedade a ser veloz demais sem pensar para onde estar correndo.
Acho que aos 29 anos estou velho demais para entendê-lo, mas da idade deles para respeitá-los.
Grande abraço.
O blog é bastante legal...voltarei para ler melhor.

Marcos disse...

Mandar o pai tocar siririca é uma forma de rebeldia??? hahahahah adorei o comentário...

Rafa texto muito bom, e você sabe que os adolecentes são otimos... é uma nova geração vindo por ai com toda tecnologia e acesso a informação possivel... eu tenho percebido que vida é assim, uma época todos são reprimidos a proxima geração liberal, muitos pais liberais tem filhos não liberais....

Sempre penso nos pais que tem filhos entrando na adolecência, como é essa ruptura... perdendo as rédeas da vida dos filhos... deve ser muito angustiante para saber como vai ser...

Abçs