EU CRIEI MINHA LENDA URBANA


Existem personagens da nossa infância que são praticamente mitológicos. Sabe aquele homem barbudo que carregava um saco e roubava crianças, ou a loira do banheiro que era disseminada em todas as escolas do país?  Então, essas lendas urbanas existem na memoria de todos nós, e fora isso temos as nossas próprias lendas, criadas dentro de casa, com irmãos ou família.

Quando moleque era sócio de um clube aqui  em Campinas chamado Concórdia. Só pra ter uma ideia, minha avó que esse ano completaria um século de vida, na sua juventude frequentava as matinês desse clube. Diziam as más línguas que era proibida a inclusão de negros como sócio, imagina isso hoje em dia? Impossível de se acreditar, mas confesso que nunca vi um negro na piscina. Claro que não éramos sócios por essa razão e sim por herança familiar.

Passei bons momentos da minha infância nesse clube, nadei muito nas piscinas, fiquei muitas vezes queimado e com insolação. No domingo ia logo cedo e só partia quando acabava o sol. Tinha um óculos de mergulho que cobria o rosto todo, foi roubado. Lembro do picolé de limão da Kibon que deixava o lábio assado por que saia pro sol sem lavar a boca. Lembro do salgadinho frito e gorduroso. Mas também lembro das figuras estranhas que por lá andavam. Em especial uma moça ( eu era criança e ela era velha metida a mocinha).

Dia desses fuçando no facebook ( é por isso que amo esse negócio) quem eu encontro? Essa figurinha bizarra que havíamos apelidado de “Cleópatra Jones – a mulher que só chega.

Por problemas jurídicos não posso expor a figura dessa pessoa por motivos que não cabe falar, mas se alguém um dia visse, entenderia por que ela se transformou numa lenda urbana. Primeiro explicando o nome. Ela já devia ter uns 40 anos quando eu tinha 11, calculando é uma senhora de quase 70 hoje, e mantem as mesmas características daquela época. Uma franja cortada reta, cabelos tingidos de ruivo, batom muito vermelho, bochechas idem. Uma mistura da Gretchen, Dercy Gonçalves e Cocada.

Mas o apelido surgiu pelo seguinte: o clube de campo era dividido em patamares. O estacionamento ficava muito acima do acesso as piscinas então víamos quem chegava. Qualquer pessoa que parasse nas escadas era vista por toda uma legião de gente que se refrescava no resort...rs rs rs. Vejam a foto e entenderão.
Foto da piscina do clube Concórdia - seta indica onde ela ficava parada

Cleópatra Jones - a Mulher que só chega passava o dia chegando. A qualquer momento que olhasse para as escadas lá estava ela com sua sainha de renda e de biquíni numa pose de Gisele Bündchen. Isso acontecia 8, 9 vezes por dia. Nunca a víamos ir embora, então não sei como fazia para subir a rampa de acesso ao estacionamento e chegar de novo. Tcharannnnn!!! Cheguei!!!

Não sei se ela tinha ou tem alguma deficiência mental, nunca paramos para analisar isso, mas confesso que por muitas vezes tive pesadelos com ela na infância.

Minha lenda urbana atende pelo nome de Cleópatra Jones -  a mulher que só chega.

E você tem sua lenda urbana?

abração 

7 comentários:

Margot disse...

Tenho...o "Joãozinho 18". Nem sei porque tinha esse nome. Já o peguei assim. Mas o danado do sujeito, eu era adolescente e bonitinha... cabelão e tal, corria atrás de mim. Em qualquer lugar que me visse na cidade, ficava na minha cola. Eu tinha pavor dele, e muitas vezes tive de ser "escoltada" pra casa.
Acho que ele ainda vive.... e mora algumas ruas além da minha. Mas já é velhinho e doente. Como já era naquela época.
Abraços Rafa, bom(?) lembrar disso. Rsrrsr

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Sempre existem estas figuras lendárias ...

Cesinha disse...

Como é que é? Cleópatra Jones? kkkkkkk... Pode ser que de costas ela não chamasse tanto a atenção. Seria demais costas que fossem a mistura das costas de Gretchen, Dercy Gonçalves e Cocada! E daí vocês não notavam enquanto ela subia o barranco. Ou, quem sabe ainda, vocês (o senhor inclusive... kkkkkkk) não acompanhavam essa senhora barranco acima... vai se saber!

Beijos.

Fred disse...

Adorei essa! Hehehe! Acho que não tenho nenhuma... fora o tiozinho que subia no muro da escola pra exibir as "jóias" para os alunos... mas isso não era lenda... era bem verdade... hhehhehe!
Hugz, querido!

Felipe Bassan disse...

sou socio do concordia até hoje e acho que sei de qm está falando..
HAHAHAHAHAHAHHAHAAHAHA

Unknown disse...

Não é lenda urbana, é um fato curioso. No final dos anos 70, inicio dos anos 80 acontecia a domingueira dançante na sede social do Concórdia, em frente ao viaduto Cury. Todo domingo um senhor levava a filha para o tal baile, se sentava ao chegar e ficava a noite toda imóvel, até o baile acabar. O curioso é que o apelido que ele tinha (sem saber, lógico)era Emília, porque seu corte de cabelo lembrava o cabelo da boneca de pano. Detalhe: a filha dele era uma ruivinha muito bonita, mas quase ninguém chegava nela por causa do pai dela. É isso.

LUIZ CARLOS Linkevieius disse...

Nossa tava procurando comentarios e fotos desta epoca e achei por aqui..
Nao e lenda e verdade..tinha a Historia do pacoquinha tambem...do garoto que foi se confessar.KKKKKK
Rapaz frequentei muito os Bailes do Concordia nao lembro se era no Sabado ou Domingo a noite ,acho que era no Domingo , no sabado iamos no Baile de Salao do Guarani ,era embaixo das Vitalicias enfrente as piscinas ,que epoca boa ,se tiver alguem que frequentou manda um alo..( lucalink@uol.com.br )