GERAÇÃO PERIGOSA

Nasci na chamada geração X (um grupo de jovens, aparentemente sem identidade, a enfrentar um incerto, mal definido, talvez hostil, futuro) e outras características com menos relevância que caracterizaram esses jovens de acordo com o ambiente e país onde cresceram. Essa geração criou um monstro, a geração Y. 

Lendo o post do Foxx ( aconselho muito a irem conferir o texto http://soumundano.blogspot.com.br/2014/05/eu-sou-theodore.html), me dei conta do quanto essa geração Y está perdida no vento. São jovens que dominam a tecnologia de forma invejável, que por esse mesmo motivo tornaram-se extremamente exigentes. Querem iniciar carreira com grandes salários, pulam de emprego em emprego sem pudor, atrás de sucesso e reconhecimento profissional. Eles desprezam totalmente a premissa que “idade traz conhecimento”. Acham-se os donos do mundo, nada lhes escapa aos olhos. Só esquecem que não adianta apenas inteligência intelectual se a mais importante – a emocional - atrofiou-se na infância. 

Não os culpo por isso. Culpo os pais, que deixaram seus pequenos presos em apartamentos com vídeo games e TVs a cabo como entretenimento. Celulares sendo trocados a cada modelo novo que aparecia no mercado. Melhor assim, pensaram, podemos nos comunicar com eles onde estiverem! Deem tecnologia, assim eles se calam e nos deixam em paz. Mas onde estavam esses jovens? Numa lan house? Na casa de outro guri jogando algum tipo de batalha onde se vence o oponente massacrando-o? Sim, estavam seguros, protegidos do mundo perigoso, mas sem interação alguma como seres humanos afetuosos. Não lhes foi dado o entendimento sobre relacionamento amoroso. E não falo de sexo apenas, falo do convívio saudável com outros, do amor pelo amigo de infância que o acompanhou em grandes jornadas de aventura. Do tato, do cheiro, do gosto da infância. 

Foxx, em seu post discursa sobre o filme ELA ( alias, um filme excelente, que vale muitíssimo a pena ver). Fala sobre essa individualidade que a geração Y desenvolveu. Eles são grandes e maravilhosos amantes, mas presos atrás de uma tela. São românticos, são sensíveis, mas como bonecos programados. Não há na geração Y o interesse ( acredito que seja medo talvez) de se relacionarem fisicamente. Eles se fecham no mundo tecnológico e lá permanecem. É obvio, e sempre gosto de ressaltar, que não se pode generalizar. Há uma grande parcela assim, mas há tantos outros que puderam ser educados por uma geração X inteligente e visionaria, que lá no inicio da década de 80 entendeu que o mundo estava mudando de forma drástica, e que se não tomassem conta de seus rebentos, seriam robotizados. Esses estão, infelizmente, subalternos de jovens de 25, 26 anos da geração Y, que dominam a tecnologia magistralmente, mas que não sabem o que é rodar um pião, ou quem sabe, uma paçoquinha de areia. Essa geração não foi educada para sentir, apenas para ganhar. 

A reflexão sobre o filme ELA é muito pertinente. O diretor esfrega na cara do espectador uma realidade próxima, que se não consertada hoje, construirá uma nova geração em bancos de esperma. Se não há o interesse do contato físico, então que seja pela medicina a perpetuação da genética de cada um. Me assusta ver esses jovens passarem como rolos compressores sobre os outros. As empresas de hoje visam lucros acima de tudo e todos, e os tem como nunca os tiveram incentivando a geração Y a conquistar para eles. O mercado está cada vez mais agressivo. A competição não é mais saudável como há uma ou duas décadas atrás. O jovem não quer cuidar do pai doente, é mais fácil entrega-lo aos cuidados de alguém experiente, e seguir com sua vida mega estruturada e automatizada. 

A frase tanto dita para os filhos ricos do Baby Boom – pobre menino(a) rico(a) – pode se aplicar tranquilamente também hoje: pobre geração Y. 

É um assunto tão complexo que daria paginas de post, mas é mais fácil jogar a centelha e fazer cada um pensar a respeito do que me estender em detalhes que afugentaria meus amigos leitores. 

Abração e bom fim de semana.

9 comentários:

Ludmilla Russo disse...

Ao mesmo tempo em que tudo se tornou mecânico e robotizado, as relações também se tornaram.
Li, a respeito da geração Y (na qual, me incluo, acredito), algumas reportagens muito interessantes mencionando as causas que levaram esses jovens a serem assim. Vi que quem era da geração X, por ter sofrido bastante repressão dos pais em tempos passados, achou por bem dar o mínimo de "nãos" aos seus filhos e exaltá-los ao extremo como indivíduo importante para o mundo. Cresceram, então, pessoas cheias de si, como você disse, (o que é bom, por um lado, mas ruim pelo excesso de auto confiança) que acreditam serem realmente o centro do mundo, e isso foi agravado pela internet e as redes sociais. Contudo, quando eles se deparam com o mundo real, e têm a visão que não são pessoas tão importantes assim e que para conquistarem um espaço têm que trabalhar duro e enfrentar inúmeras dificuldades, preferem voltar para o mundo perfeito virtual, onde tudo é mais seguro. Acredito que, embora tenham surgido grandes inovadores por conta disso, essa é uma geração um pouco perdida. Espero que isso sirva de lição para as próximas, para que o erro não se repita.

Rafael Leoni disse...

Obrigado Lud, vc complementou o post...

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Perfeito meu amigo ... pobre geração, pobre mundo o de amanhã ... mas enfim, quem vai colher são eles mesmos ... eu, de onde estiver, fico só a observar ...

Gera Souza disse...

Ainda nem que sou da tempo em que: “idade traz conhecimento" rsrsrsrs
Melhor me recolher ao meu lugar simplório, do que ficar com "elucubrações mentais" a esse respeito!
Sorry my friend!
Here I am!!!
Kisses

Gera Souza disse...

Ainda bem que eu sou da “idade traz conhecimento” pois de outra forma não conseguiria viver nessa paranoia!
Estamos vivendo cada vez mais de forma imediatista!
Se faz necessário rever algumas teorias sobre "como estamos vivendo nossas vidas!"

Antonio de Castro disse...

eu adorei seu texto.

sempre fico assustado quando leio algo sobre a geração Y porque eu faço parte dela e me identifico em um monte características que eu gostaria de não me identificar.

mas o primeiro comentário aí da lista bateu fundo em mim.

"Contudo, quando eles se deparam com o mundo real, e têm a visão que não são pessoas tão importantes assim e que para conquistarem um espaço têm que trabalhar duro e enfrentar inúmeras dificuldades, preferem voltar para o mundo perfeito virtual, onde tudo é mais seguro."

triste vê que a gente é assim. dá um medo de ter que se esforçar pra não ser.

FOXX disse...

Muito orgulho de ser citado aqui, Rapha. Orgulho mesmo!
E sobre seu texto, só aplausos!

Rafael Nicola disse...

Já li muito texto sobre a geração Y e o seu foi de longe o mais sincero. Faço parte da geração Y, trabalho com tecnologia, joguei bastante videogame quando criança, mas também tive contato com outras crianças brincando na rua, parque, etc. Procuro me manter o mais longe possível da tecnologia depois do trabalho. É mais preferível sentar na mesa de um bar e conhecer uma galera legal do que chegar em casa e ligar o computador novamente.
Faço das suas palavras as minhas, Rapha.

bjo bjo

jair machado rodrigues disse...

Querido Rafael, tou sempre atarsado, mas ao mesmo tempo é otima esta tua verve para escrever...adorei o post e dizer que tenho medo dessa gente y rs, porque corremos o risco de cruzar com um profissional y e ele se danar para gente, embora se pague pelo serviço, é um povo que tá nem aí para o próximo, mesmo que o próximo lhe pague...Os comentários estão ótimos, o Foxx desenha bem pra caramba, sem falar no cérebro privilegiado dele. Neste post se dá um encontro de titãs rs.
ps. Carinho respeito e abraço.