SEREI UM ÓRFÃO DE AVENIDA BRASIL

Nós brasileiros estamos nos acostumando mal em relação ao imediatismo das coisas. A internet trouxe o anônimo engraçado e talentoso pra perto de nós, em seus inúmeros vídeos virais que da mesma forma em que surgem desaparecem dias depois. Onde está o garoto que cantou “para nosaaaaa alegria”? Foi usado por duas ou três semanas na TV e já voltaram para anonimato que sempre viveram. E assim construímos ídolos e nos esquecemos deles depois de um copo d´agua.

No dia 26 de março deste ano sentei em frente à TV pra ver uma garotinha de talento irrefutável ser massacrada por uma madrasta má, como nos bons contos infantis da Disney. A megera tomava tudo o que era da enteada, assim como fizeram com a Gata Borralheira, Branca de Neve , e em seguida as atiravam a sorte, como Carminha fez com Rita, deixando-a a mercê do destino, num lixão fétido, criado cinematograficamente e digno de aplausos.


Resolvi antes mesmo de estrear Avenida Brasil que iria assisti-la por que seu autor João Emanuel Carneiro já havia mostrado a que veio. Em seu ultimo texto “ A Favorita” tirou toda a doçura de Patrícia Pillar e nos jogou numa trama de inveja, assassinato e psicopatia digna de grandes obras de Hitchcock. Ao ver anunciado que Adriana Esteves seria a vilã, presumi que talvez criasse a sua Nazareth Tedesco ( a vilã engraçada e patética), a única personagem de valor já criada por Agnaldo Silva, alias, ele quase nos faz desistir das novelas do horário nobre depois do fiasco de Fina Estampa. Mas não, João criou a “Carminha” e deu ao talento de Adriana a chance de mostrar que de sua geração, é a mais talentosa de todas. Carminha é crível, é debochada, má, e ao mesmo tempo nos da um sentimento de pena. Ainda não se sabe o passado dela, o que levou a ser tão amoral, mas mesmo assim nós, publico, sentimos uma ternura por ela. As redes sociais (o termômetro de tudo hoje em dia) mostra que todo mundo quer vê-la desmascarada, mas ninguém a quer pagando pelos pecados. A maioria dos telespectadores torcem para que ela fuja, ou arrume outro trouxa pra cornear.

De todos os personagens magistralmente criados para Avenida Brasil, o desfile de talentos sobressaiu ao texto, e nos deu perolas que serão eternizadas pela mídia. Empregadas fofoqueiras, periguetes e Marias chuteiras. Mocinhos de boa índole, infantilizados como Adauto, que no capitulo desta segunda feira nos cortou o coração, em excelente atuação de Juliano Cazarré.  Jovens talentos muito bem aproveitados pelo autor.

Mas não só de novos rostos Avenida Brasil encanta. Como fez com Patricila Pillar, o autor pincelou alguns talentos do  staff da Rede Globo e deu a eles algo que nunca haviam feito, mesmo beirando o ridículo, como o personagem de Marcos Caruso, que com o inegável talento, também nos mostra crível o que leva as telas. Seria chover no molhado falar de um elenco inteiro, mas não há como deixar de lado Murilo Benicio, o enganado Tufão, o sujeito que qualquer mulher quereria para marido, qualquer jovem como pai, e qualquer homem como amigo. Ele é boa praça, é honesto, e  tem aquele olhar tristonho que comove a qualquer um.

Mas pergunto: o que fazer após dia 19, quando João Emanuel nos dará o ultimo capitulo? Ficaremos órfãos novamente? É tão difícil criar empatia com uma novela, e poder discuti-la em âmbito nacional, por que todos, todos mesmo sabem do que se trata. Ser uma unanimidade na era de internet é um feito memorável para um talentoso autor. Não quero ver Carminha padecer. Já me cansa saber que Gloria Perez vem com um elenco de centenas de pessoas com bordões de bar, repetidos a exaustão como em Zorra Total. Alias, Salve Jorge não fugirá muito deste estereotipo. Gloria Perez escreve bem, mas só conseguimos gostar de suas novelas, por que há essa imposição. Ou é isso, ou é nada. Então, habituados aos folhetins do horário, engoliremos mais um sapo boi, gigante, por pura falta de opção, e choraremos a falta de Zezé, Nilo, Olenka e a cambada de tipos suburbanos, classe C que nada mais é do que a nossa cara. A cara do Brasil, do povo que constrói essa nação.

Salve Avenida Brasil!!!

6 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

com todo respeito ao amigo mas eu não dou conta de me prender a novelas ...

Lucas disse...

Sabe, eu comecei a ver depois da metade da trama (não sou chegado em novelas), mas o que mais me atraiu, além da fotografia belíssima, foi o formato dos diálogos, aquela balbúrdia toda, bem subúrbio mesmo! E tem os excelentes atores, como você comentou. Muito bom.

Abraços

Dama de Cinzas disse...

Avenida Brasil foi boa, mas foi muito prejudicada por essa esticada enoooorme que ganhou. De qualquer maneira, teve seus pontos altos, como na época que Carminha descobriu que a Nina era a Rita e agora nesses últimos capítulos com a máscara da Carminha caindo. Eu vou te dizer, desde Nazaré Tedesco eu não ria tanto com uma vilã quanto ri de ontem pra hoje com a Carminha vomitando tudo que achava da família Tufão... rs.

Beijocas

railer disse...

acho legal isso que você sente.

eu não vejo novelas, mas é bacana ver alguém contando algo de que gosta!

=)

Maria Clara Fernandes Moreira disse...

Eu amava Av.Brasil uhuhuhuuhuhuhuuuuuuuuuhh

Maria Clara Fernandes Moreira disse...

Eu não perdia um capitulo de Av.Brasil que pena que acabou uhuhuhuhhhuhhhhuhuuhhh