O ENCANTO DOS SARIS

Não vou eximir Gloria Perez de criticas já feitas neste blog sobre seu trabalho em Caminho das Índias. Substituir “ A Favorita” era uma dura tarefa para o autor que a sucedesse, pelo ritmo ágil, elenco enxuto e dinâmica nas cenas. Porém, se tratarmos “Caminho das Índias” como uma novela de texto básico ( digo pelo formato apresentado), pode-se sim dizer que é sucesso.
Ao longo desses meses, subterfúgios como flashbacks, mudança de foco dos personagens principais para coadjuvantes, como o caso de Maitê Proença, fizeram das novela das 8, mais uma na série de teledramaturgias com receitas parecidas. Vilões, mocinhos, heroína sofredora.
Pontos altos ficaram nas atuações magistrais de grandes nomes da nossa TV. Quando ouço Agnaldo Silva declarar que não usará mais antigos nomes da teledramaturgia em suas novelas, por que quer dar chance para novos atores, acho até viável, mas sermos privados de atuações como as de Tony Ramos, Laura Cardoso, Lima Duarte, Cristiane Torloni e tantos outros, é negar-nos a glória de sentarmos em nossas poltronas e viajarmos para um mundo fictício, que nos encanta há mais de meio século.
E não é criando um elenco de jovens que as novelas tomarão um novo rumo. Se fosse isso, Malhação estaria no horário das 9, e não no meio da tarde.
Mas Gloria Perez criou, e fez da sua criação o que vemos nas ruas. Suas expressões estão na boca do povo, as imitações de jóias indianas nos pescoços e braços das meninas. Transportou-nos em viagens rápidas para um mundo desconhecido chamado Índia.
Tanto acusaram de minimizar os problemas e mostrar apenas o belo. Eu compreendo Gloria Perez, e nisso, a reverencio. A autora usou de sua licença poética, tão comum nas obras de ficção. Criou um mundo lúdico, de fantasia, e nos deu de presente um conhecimento, básico, mínimo que seja de um povo que não sabíamos direito como viviam.
Os indianos tem suas superstições, seus credos. Para muitos de nós, infantilidades e bobeiras, mas se pararmos e analisarmos a nossa cultura, comparada a deles, também podemos ser classificados como ignorantes, passivos, e desmemoriados.
Uma cultura que protege o idoso e dá a eles a devida importância, pela sabedoria acumulada, não pode ser de todo inútil. Os indianos são sim ricos nas tradições. Cada povo cria sua cultura. Se há problemas, que os resolvam dentro de seus muros. Não nos preocupemos com seus costumes. Temos problemas mais graves e urgentes dentro de nosso território, para questionarmos a vida deles. Desçamos do muro e deixemos que o vizinho cuide de sua vida, enquanto tratamos de nossas dificuldades.
Caminho das Índias, foi morna, mas nos deu Juliana Paes, numa indiscutível atuação. Um personagem místico, lindo, delicado e sofredor. Seus olhos enormes emoldurados pela pintura e adornados de cristais foram irrelevantes perto da capacidade que Juliana teve de compor uma mulher dividida entre amor e mentira, numa sociedade em que a figura feminina é tão objeto.
Quando acaba uma novela, sempre ficamos com a sensação de perda. Por meses tivemos o colorido dos Saris ,dos tilintares das pulseiras, do sorriso de Rodrigo Lombardi, das reboladas de Dira Paes. Há um luto até que a próxima novela nos ganhe novamente.
Faço minha critica a Caminho das Índias hoje, para que talvez a decepção normal do último capítulo não ofusque minhas palavras.
Parabéns ao elenco, a força de Gloria Perez que compôs tudo sozinha, a belíssima direção. Gostaria que a ponte aérea Brasil x Dubai x Índia, fosse tão fácil como vimos nesses meses. E mais ainda, parabéns a autora que fez com que todas as pessoas do mundo todo, seja por onde o elenco passou, falassem o português. Se Hollywood pode, também podemos.
Are baba.
Que a Deusa Laksmi proteja a todos. Tchalô


5 comentários:

Renato Fierce disse...

Namaste moço, gostei muito dessa postagem, atchatchatcha, acho que vou sentir muita saudade desta telenovela de Bollywood baguan kelie, aqui em minha casa assistimos todos, minha mamadi, dona nana, seu nani, minha didi, até Púdia rs! Nehi, não sei como vou fazer depois, tick, eu sei que nos acostumaremos, já aprendemos a não confiar em nossa dupla sertaneja do passado como em a favorita, are baba, e como aprendemos. Será que com a próxima telenovela aprenderemos a “viver a vida”, é o título dela atcha, ou algo assim. Arebaguandi, por lord Shiva, estive pensando esses dias, e como profissional da saúde acredito que seria um Dalith, nehi, nehi, nehi, vou trabalhar em hospitais particulares para ser da casta dos comerciantes, atcha. Já que bramani é muito difícil, rs. Are baba. PS: Muito obrigado por me visitar e por comentar, adoro seu blog também, e a Amy, rs. Tchalô firanghi.

Mila disse...

Eu, noveleira que sou, adoro todas as novelas da Gloria Perez, pois a maioria delas fala sobre uma paixão minha: o oriente. E estou mor-ren-do de vontade que a próxima novela dela seja num lugar tipo Afeganistão! Terei surtos!

Agora a próxima que vem por aí, é do Manoel Carlos e eu também adooooro um drama familiar e o Zé Mayer garanhão toda vida! TODO MUNDO MERECE! Adoro um sofrer, adorei a Carolina Dieckman no papel da Camila com leucemia siacabando de chorar porque teve que raspar a cabeça (eu fico comotion quando lembro desta cena). Lembra de Milena (Carolina Ferraz) e Nando (Du Moscovis)? To com saudade de vocêêê debaixo do meu coberto-or!”

Sobre as críticas a Gloria Perez ter apenas mostrado o lado lindo da Índia. Lógico, é novela e não documentário de cunho político. Ai que saco esse povo. Deixa viver?

Juliana Paes é linda e fica melhor ainda com lápis Kajal e vestida de seda pura dos pés a cabeça. Pense em mim indiana e rica? Era um sári por dia, cada um de uma cor diferente: laranja, azul, preto, rosa, cor de burro quando foge. Enfim...

Ai, agora vou-me (e não vou arrastar o meu sári pelo mercado, não posso).

Atcha atcha atcha!

Gustavo disse...

Babá.... como diria meu irmãozinho para sua versão de Harebaba.

Sou meio suspeito por falar em novelas de Glória Perez porque elas me cansam a beleza.

Mas depois que vi a entrevista dela no fantastico este domingo, fiquei fantastico com aquela mulher.

Caminho das indias veio que veio e agora vai que vai!
Adorei Juliana Paes... PRONTO FALEI!

E faço questão de fazer de suas a palvras as também!

Bjunda Rafa!

Susyanne Alves disse...

Adorei seu texto!
Sou fã de novelas também.
De Glória mais ainda.
Concordo com a maldição do último capítulo.
De fato o melhor da festa será no capítulo de hoje que não poderei assistir em função da faculdade.
Mas que foi um novelão isso nem mesmo os críticos podem negar.

Beijíssmo

www.eusoupublicista.blogspot.com

ManDrag disse...

Parabéns pelo texto lúcido e claro. Subscrevo o parágrafo central sobre as diferenças culturais de povos e nações. Cada um sabe de si, né!