MEUS 8 ANOS

Essa semana completei mais uma primavera, mas prefiro dizer que completei mais um verão, por que felizmente aniversario em fevereiro, auge do verão, e este ano pode-se dizer VERÃO COM LETRAS MAIUSCULAS.

Sempre gostei de aniversario, desde pequeno. Tive boas e más comemorações, épocas fartas e de vacas magras. Amigos e nem tanto. Presentes “e” presentes...rs rs rs. Mas o que mais me recordo é da minha infância e das festinhas que minha mãe fazia com tudo aquilo que o personagem do Falabella ridicularizava em Sai de Baixo. Refrigerante caçulinha, bolo com cobertura de gordura vegetal enfeitado com bicos de confeiteiro, sanduichinhos de pão de forma com patê cobertos com pano úmido para não ressecar. Uma época magica que o mais interessante era brincar.

Tenho ótima memória para fatos, datas e acontecimentos. Meu cérebro acumula informações desnecessárias, algo que entendo, mas dificilmente outros compreendem. Dizem ser “memória inútil”. Lembrava-me, por exemplo, de uma cena da novela Agua Viva que revi essa semana, e acabei chorando, não sei se por emoção da cena, ou pela lembrança tão antiga. Lembrança de uma época remota, onde não tínhamos ideia do futuro, alias futuro era o próximo bimestre da escola. E nos últimos tempos choro com muita facilidade. Há explicação pra isso...rs.

Sem dúvida alguma as novelas do passado nos presenteavam com diálogos claríssimos e naturais. Cenas longas, sem cortes, onde obviamente o ator colocava palavras da própria boca, e fazia sentido, por que não deixavam a emoção despencar para o ridículo. Não tinham preocupação com o politicamente correto, com os urubus da mídia, com os oportunistas que assistem não como entretenimento, mas como forma de se apegar a detalhes e usa-los para os 15 minutos de fama ( como a capivara ignóbil de um pastor que quer processar a Globo pelo beijo de Felix e Niko).

Agua Viva é uma novela de Gilberto Braga com colaboração de Manoel Carlos. Quer algo mais suntuoso que isso? Retrata um Rio de Janeiro quase Rodrigueano, com suas socialites artificiais gastando suas fortunas com viagens e ostentações que o governo militar proporcionou a alguns. Mas tudo bem é histórico ver o surgimento do topless, da ideologia de que estudando é que se consegue algo na vida. De filhinhas de papai caindo em si que só o dinheiro e a herança não bastavam para ser alguém. E se tudo isso não interessar, ver atores no auge da juventude vale a pena. E ainda assim, se não interessar, tem Tônia Carreiro e Beatriz Segall para encantar.

Tinha exatos 8 anos nos primórdios de 1981, quando a trama foi ao ar. Lembro claramente da história, e revê-la é um prazer que poucos compreendem. E se não bastasse o deleite que é ver o texto de Gilberto Braga sendo bem interpretado ( no meu ponto de vista o melhor texto de novelas que existe, seguido de Manoel Carlos) a trilha sonora é sensacional.

Por coincidência quando fiz 8 anos ( ahhh que saudade eu tenho da aurora da minha vida...)minha mãe fez daquelas festinhas que costumava organizar e chamou toda molecada da rua. Tinha sempre em mente que festa de criança é de criança apenas, adultos não eram bem vindos. Naquele ano ganhei um jogo de palitos, um tênis bamba do superman e uma dúzia ( ou mais ) de cuecas de náilon que me assavam o bingulim. Obviamente não pude usa-las, mas guardei apenas uma, que na frente tinha uma formiguinha musculosa erguendo halteres.

Deixei o vídeo com a cena em que Reginaldo Farias conta a Isabela Garcia que é seu pai biológico. Vale a pena ver a capacidade cênica dela, com trilha sonora mega dramática.




abraço a todos e ótimo fim de semana

7 comentários:

Fred disse...

Mazáááááááá, guri! Parabéns!!! Tudo de melhor pra ti nessa nova idade!!!
E essas festinhas eram boas demais... tb tive as minhas... confesso apenas que burrico eu nunca tive. Fiquei com inveja agora!!! Hahahahaha! Hugzão!

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Ah meu querido amigo do Jardim de Infância ... somos felizes por termos podido viver estes anos dourados, com seus problemas tb é claro [Ditadura] mas culturalmente riquíssimo ... é triste ver os dias de hoje ...
Saudades mesmo!

Alex Xavier Santos disse...

Cara curto muito o que vc escreve, vc e Tony Goes são minhas leituras diárias. Mas posso dizer uma coisa? A fonte/ letra que vc está usando no títulos está muito ruim, várias vezes tenho que "decifrar" ou deduzir o que está escrito, talvez se apenas a primeira letra fosse maiúscula já ficaria melhor. Desculpe a sinceridade. Grande Abraço

RAFAEL disse...

Sugestão dada, sugestão atendida Alex. Obrigado pela dica. abç

Três Egos disse...

Parabéns! (Voltando aqui em uma ótima oportunidade, quero um pedaço de bolo)

Não tenho uma memória tão boa quanto a sua, mas lembro de alguns dos meus aniversários. E aniversário de criança sem uma coxinha e bolo com recheio de frutas e cobertura de chatilly não era aniversário de criança.

Abraço!

Esdras disse...

Ai, que lindo, amei esse texto! Entendo bem de nostalgias e memórias afetivas que nunca nos deixam. Parabéns pra vc, nessa data querida! Qto à novela, gosto mto, é uma história lenta, com cenas compridas e diálogos deleitosos, mas tem ritmo. Revi a cena de pai e filha pela segunda vez agora, mto delicada e emocionante, principalmente por Isabela, excelente desde sempre. E concordo qdo diz que os textos e Maneco e Giba são os melhores, mas incluiria tbm os de Maria A.Amaral, que amo!

Abçs!

Alex Xavier Santos disse...

Rafael, pela sua atenção meu respeito por vc só aumentou! Abraços