ONDE ESTÁ O INTERESSE PELO PRÓXIMO?

Cada vez mais percebo como as pessoas tornaram-se ensimesmadas. Dentro do circulo familiar, trabalho, amigos, é tão perceptível como todos agem de acordo com interesses pessoais e sempre no que tange seu próprio umbigo.

Antigamente a criação de filhos ficava a cargo da mãe, e a figura do pai era a de respeito e temor. Passaram-se alguns anos e a sociedade entendeu que deveria ser dividido. Tanto pai, quanto mãe são responsáveis pela educação dos pimpolhos. Retroagimos no tempo, por que hoje o que vejo são pais de antigamente, com pequenos gestos de carinho com os filhos, enquanto mães se matam de cuidar, culpando-se por cada gripe que a criança tem. Retrocedemos não só nessa questão, mas aquele ciclo de vanguardismo, de casais novos e de cabeça aberta estão iniciando uma nova etapa, e bem parecida com das gerações das décadas de 40 e 50.

Hoje as pessoas pensam apenas nelas. Não há mais a felicidade pelo sucesso do outro. Não há mais o caloroso cumprimento após uma ausência. Retorna-se de viagem como se tivesse ido ao supermercado. Ninguém mais fica esfuziante por que chegou, por que retornou de uma difícil tarefa. Olham como se tudo fosse obrigação. Não há mais felicitações pelo retorno, aquela coisa interiorana de sentar e ouvir as histórias de como foi a viagem internacional. Parece que ninguém tem tempo, e o interesse pelo “outrem” é proporcional ao que ele pode te render de alguma forma financeira, ou status.

O dinheiro mudou de mãos, hoje boa parte dos ricos de tradição pularam para uma classe media alta, mas mesmo assim mantem um clima de ostentação, de “finesse”, e falam, esbravejam preconceitos contra aqueles que julgam não fazerem parte do seleto mundo dos milionários.

Onde estão aqueles calorosos cumprimentos, aquela felicidade gratuita. Ninguém mais tem tempo pra isso? Não querem mais ser amigos? É isso? Sei não, mas dessa forma em breve seremos um povo frio,um Japão sem tecnologia. Enquanto os orientais querem se ocidentalizar, ter o toque latino, nos queremos a frieza da falta de toque, do “cada um no seu quadrado”. Vivemos presos em gaiolas com grades e alarmes, e quando nos reunimos em grupos, não sabemos mais como ser carinhosos.

Frustrante a falta de compreensão. Os colegas de trabalho, os amigos pessoais, da escola, vizinhos, não sabem e nem se importam com sua vida. As pessoas não visitam doentes, não perguntam sobre como passou o fim de semana ou como foi seu voo.

Logo estaremos engessados, frios, e querendo apenas que a pessoa ao seu lado pare de falar um pouco pra você poder prestar atenção no que digita no seu iphone, ipad. É mais fácil manter as relações virtuais, do que simplesmente olhar alguém no olho e manter um dialogo alegre e agradável.

Boa semana a todos.

6 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

querido! o problema é q estamos ficando velhos!!! rs

Heron Xavier disse...

Excelente post Rafael. Na boa, as pessoas estão mais amargas.

Acredito que a tal lei da sobrevivência está mais descarada hoje em dia. Acabou aquela inveja velada, hoje as pessoas mostram na cara a infelicidade de suas vidas.

Quando falo infelicidade, significa que o sucesso do outro deveria ser meu e não do todo.

O mundo é louco.

Solange disse...

a culpa é do desenvolvimento tecnológico...
pra que perguntar como foi a viagem internacional, se durante a mesma, a pessoa enche o face de fotos...
pra que fazer visitas, conversar com os vizinhos, parentes, pessoalmente, se ficamos o dia todooo olhando pra eles na web mesmo sem dizer uma palavra..
pra que ser humano..
pra que amar..
pra que sentir o calor de um abraço amigo..
pra que viver?
.............

bjs.Sol

bjs.Sol

::::FER:::: disse...

É realmente horrivel presenciar uma geração terminar e outra surgir.

F. Otavio M. Silva disse...

Se o mundo compreendesse o quanto são importantes suas palavras, este seria um lugar melhor de se viver.

F. Otávio M. Silva
http://www.surfistadebanzeiro.com

railer disse...

verdade o que você disse e triste o que você disse. acho que o importante é a gente manter no nosso convívio aquelas pessoas que ainda acreditam nisso.