O CD QUE AMY NÃO GRAVARIA

Ontem fiz download do novo CD de Amy “Lioness Hidden Treassures” por que não aguentava esperar as lojas brasileiras tê-lo disponível para compra. Tomei bronca de um amigo que diz estar incitando a pirataria. Como não estou comercializando o produto, apenas usando em beneficio próprio, não encaro como pirataria....ta...tá bem, baixar cd é pirataria, mas enfim, não queria esperar. Quando chegar o original, comprar-lhe-ei nas lojas pagando os impostos devidos.

O post é para registrar minha opinião sobre esse lançamento, aquele ao qual não satisfez nem um bocado a ausência da cantora. Lioness é um CD estranho. Parece coletânea que montamos a partir de sites de musica da Internet. Assemelha-se a um iPod em formato randômico. Musicas que não conversam umas com as outras. Não há um sentido logico na sequencia. Não há uma homogenia nas letras, melodias e voz. Fica visível a diferença no tom de Amy em cada faixa. Para os estudiosos dará para pontuar direitinho as épocas em que foram gravadas.

Aí penso novamente que a mídia, os produtores, a família e todos aqueles que estiveram envolvidos na sua morte, lucraram mais uma vez. Por que não tentem me convencer que Amy morreu por que quis. Ela podia sim ter tido quatrocentos olhos sobre ela para evitar a tragédia. Então vejo o CD como uma tentativa comercial de ganhar mais grana com seu nome. Aquela coisa tipo: vamos aproveitar esse ano que ela morreu, a véspera de natal e joguemos algo qualquer no mercado que o povo compra como agua.

Existem algumas musicas em Lioness que exemplificam um pouco a genialidade de Amy, como sua versão para Garota de Ipanema. Num primeiro momento, pode até achar estranha, mas ao ouvir uma segunda, terceira vez, percebemos o quanto é apaixonante. Talvez a única faixa que mostre Amy descolada, com aquela carinha brejeira que nos cativou.

O dueto com Tony Benett é sofisticado, é chique, é aquele clássico anos 50 que se eterniza. Se Frank Sinatra estivesse vivo, Amy já teria gravado com ele, quem sabe até um disco inteiro. Tony Benett é bom, mas não há glamour. A musica vale acompanhado do Clipe que mostra aquela carinha tímida da cantora ao lado de Tony.

It´s my Part fez falta. No fim das contas ficou uma musica perdida no espaço. Não fez parte de nada que a cantora tenha deixado como “seu”.

Lioness é como disse, uma tentativa comercial, mais do que a de deixar os fãs “órfãos” satisfeitos com uma homenagem póstuma.

O disco reitera a sensação de que Amy partiu mesmo muito cedo. E o comercio em torno dela se intensifica desesperadamente enquanto não surge outra voz. Adele está aí, mas dificilmente tomará o posto de Amy. Vozes lindas, mas a malemolência e loucura da senhora Winehouse ainda levará décadas para ser superada. A voz do século 21.

Abraços e boa terça-feria.

5 comentários:

Paulo Braccini - Bratz disse...

sua análise ficou bem interessante e nos leva a concluir o óbvio ... hoje, mais do q nunca, todos só pensam na gente com algum interesse ... é uma nojeira isto ... mas enfim ... é a vida e assim é o SER humano ...

bjão

Edu disse...

Acho que se a cantora morreu e se é óbvio que estão lucrando em cima (como com Michael Jackson e outros), você tem todo direito de "abaixar" o CD sem pagar nada! #prontofalei

Solange disse...

voz única!!

Rafa..
o que eles estão fazendo com com "ela" é uma forma de pirataria também...

bjs.Sol

Karina disse...

Fala assim do Tony Benett não...rs Eu prefiro o Sinatra, mas há canções que realmente são inesquecíveis na voz dele (para mim, a melhor versão de "The look of love" é a dele). Obrigada por suas impressões sobre o CD (acho que não dá para chamar de álbum). Bjs.

Fernando Munhoz disse...

Olá Rafael, boa noite! Achei ótima a sua resenha sobre o Lioness e confesso ter tido a mesma impressão. Enfim, to escrevendo para saber se você aceita parceria?

Um grande abraço!