MEU AMOR ADOTADO

Voltando aos trabalhos.

A ultima vez que escrevi um post estava na iminência de uma perda. Ela aconteceu de fato, e desestruturou toda uma vida. Aqueles que não sabem, que  não me acompanham aqui no blog, ou talvez me leiam pela primeira vez, serei breve: perdi minha mãe.

Essa perda é irreparável. Não há como descrever. Talvez perder um filho seja mais dolorido. A sensação é de que alguém cortou sua ancora e agora você está à deriva. Mas os mares revoltos um dia se acalmam. Sei que a dor passa e no lugar dela fica a saudade.

Mas continuei minha vida. Sou jovem apesar dos 40 anos recém completados. Tenho muito tempo pela frente, e preciso de saúde e lucidez para tocar o barco. Nessa nova fase imposta à força senti a necessidade de cuidar de algo. Ainda me vejo imaturo para criar uma criança. Não tenho estrutura emocional suficiente para passar algo de bom a um bebê. O que não tira dos meus planos a ideia de filhos. Talvez ela fique para um futuro próximo, quem sabe.

Então vamos a um animalzinho. Não gosto de gatos ( não tenho problemas com eles, apenas não me adapto). Um bicho exótico não é minha cara. Num teste feito no uol para achar meu melhor bicho de estimação, o resultado foi um peixe...rs rs rs. Não, não sou uma pessoa que suporta um peixe ali nadando sem se comunicar, sujando uma agua dia e noite sem me dar nada em troca além de bolhinhas de ar.

Decidi por um cão.

Aí entra outro lado da história. Comprar ou adotar? Perdoem-me os adoradores de cães de raça, mas darei minha opinião clara e particular. Não acho valido comprar amor. E quando se vai atrás de um cachorro de raça não se busca um companheiro, e sim uma pequena grife para servir de status. Claro que existem exceções. Não generalizo, mas vi muita gente comprar cachorros de pelos bonitos, línguas azuis e devolve-los por incompatibilidade. E ao contrario, todos os cães adotados fazem das famílias um lar mais feliz.

Na minha casa enquanto vivi com meus pais tivemos dois cães de raça. Nenhum deles era meu, por isso os cuidados não ficava a meu cargo. O primeiro foi um Husk siberiano psicopata. Ele cresceu demente, mordeu pessoas desprotegidas, tentamos nos livrar dele, pelo perigo que oferecia, e por cinco vezes nos devolveram.  Tinha sobrinha pequena, a qual ele odiava, rosnando com dentes de lobo, prestes a atacar. Na ultima tentativa um tratador da raça e adestrador ficou com ele. Era um cachorro lindo, de pelagem cinza e olhos de duas cores. Tempo depois quando buscamos noticias, o senhor que o adotou nos contou que ele havia rasgado o braço de sua esposa necessitando de mais de 30 pontos. Deu-nos entender que havia sacrificado.

Depois na fase infantil dos sobrinhos dei uma poodle de presente pra mais velha. Uma cachorra neurótica que mordia a todos e se urinava. Não havia adestramento que tirasse isso dela. Ao ponto de termos que devolve-la para a dona que nos vendeu, por que nos 2 anos que ficou conosco parecia que nos odiava.
Então a experiência com cachorros de raça não foi boa. Apesar de cuidados veterinários, boas rações e tudo mais, não deu certo. Por fim uma gata branca angorá é que fez a felicidade dos meus pais, e faz companhia ao meu pai viúvo, dormindo ao lado dele 24 hs do dia. Sei que existem pessoas que gostam de determinadas raças, mas se há a duvida, adote.

Meu pequeno bebê, adotado da UPA ( união protetora dos animais) é uma vira latinhas preta, bem pretinha. A criadora disse que a mãe é um Basset e o pai não se sabe. Nesses dias que esta comigo já me transformou a rotina. A cada ato de inteligência uma surpresa. Aprendem com uma rapidez absurda.

Maria Antônia – a Tônia, não veio para suprir a minha perda recente, mas para me ajudar a mudar o cotidiano, me tirando os pensamentos melancólicos e amenizando a saudade.

Espero que sejamos felizes.


Abraço a todos.

8 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Muito fofa ela! Que te seja uma boa companhia! ... Sempre tive cães mas não os quero mais ... me prendem e eu não quero isto ...

bjão

Cristina Jacó disse...

Adorei o post. Exceto pela perda da sua mãe. Lamento por isso. Quando perder a minha vou sofrer imensamente. Sua cadelinha pode até ser que substitua esse afeto. Mas mãe é mãe.

Abraços,
www.cristinajaco.art.br

Marcos Campos disse...

Parabéns Rafa !!
Cachorro é tudo de bom, em todas as situações !!
Vcs vão se divertir muito, chorar junto, enfim, fazer tudo junto, pois é isso que um cão faz, parte da vida da gente !!
Gde abraço !

Latinha disse...

Olha, acho que fizeste muito bem, esses bichinhos são como anjos!

Em relação a sua perda, como fã de Fernando Pessoa, eu gosto [e acredito] muito de um trecho que fala: "A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto". Que no sue tempo você possa continuar caminhando... ;-)

Eu sou cachorreiro! Lembro de criança, como eu queria ter um cachorro mas não podia, por morar em apto na época. Meu primeiro cachorro foi um "Vira-Boxer", ficou 15 anos comigo...

Hoje tenho 2 Boxers, que moram na casa dos meus pais porque eu mudei de cidade... sinto falta deles, só não adotei por estar em um apartamento novamente... Mas tem um SRD "Na Firma" que virou meu chapa... Romeu é um grande parça.

Grande abraço para você, e que juntos vocês possam vivenciar muitos momentos bacanas!!!

Jose Antonio disse...

Caro Jamal,
Ela é muito linda!
Ser amado e cuidado pela sua mãe é algo que jamais vai ser substituído, no entanto, amar e cuidar da Maria Antonia é lembrar que o amor é essencial para todos nós!
Bjs

Dama de Cinzas disse...

Também sou bem mais de cachorro do que de gato, apesar de gostar de bichos em geral. Você vai perceber que daqui um tempo tu não consegue mais ver sua vida sem a Tonia, esses bichinhos cativam demais a gente.

Boa sorte!

Beijocas

wair de paula disse...

Lindinha a cachorra - também tenho uma adotada. se não substitui perdas (falo de cátedra), dá um alento e fazem uma companhia deliciosa. Abraço.

Blog do Careca disse...

Ola Rafa... hoje tive tempo pra "vasculhar" seu blog e acabei de ler esse "post". Sempre tive apego a cachorros, inclusive já tive dois. Mas devido as varias mudanças que ocorreram em minha vida, deixei de adotá-los. Hoje vivendo aqui no interior, tenho tido inúmeros "sinais" que estão me aproximando cada vez mais com os gatos! Ainda não decidi mas logo. log, haverá novidades! Rsrsrsrsrsrs...adoro o que vc escreve..Grande abraço