O GRANDE GATSBY: DI CAPRIO OU REDFORD?

As refilmagens de clássicos me dão sempre mais liberdade para escrever uma resenha do que os inéditos. É complicado falar sobre o assunto sem dar detalhes importantes de uma produção, no caso desses remakes, todos sabem o fim então posso discursar sobre as diferenças entre elas.

Divido o Grande Gatsby em duas produções apenas: a de 1974 e a atual com Leonardo Di Caprio. Descarto as de 1929, 1946, 2000. Sim, o livro de F. Scott Fitzgerald foi filmado cinco vezes. 

Em 1974 Robert Redford encarnou o milionário misterioso dando a ele um rosto conhecido até hoje. Por isso digo que as outras produções são descartáveis, pois não nos lembramos do elenco. Mia Farrow é Daisy. Feito as apresentações posso falar então das diferenças entre as duas melhores produções.

Robert Redford, em minha opinião sempre foi apenas um rostinho bonito. Nunca vi talento demasiado como ator. Muitos que lerem irão me insultar por isso...rs. mas essa é uma opinião particular. Já Leonardo Di Caprio é um ascendente ator, expressivo, e injustiçado por personagens anteriores comerciais demais.

O Grande Gatsby de 2013 é um espetáculo de imagem. Uma produção sofisticada ao extremo. E quando digo isso, vou do o cenário ao figurino (repleto de joias e plumas) num desfile continuo de mulheres bonitas e homens elegantes. Há uma diferença gritante entre as duas versões. A de 1974 é menos ousada, mais clássica, talvez até pela época ( ou quem sabe quando estreou causou a mesma impressão que tenho hoje).

Mia Farrow mostrava uma Daisy mimada, um tanto histérica e fútil. Já a versão de Carey Mulligan é depressiva, frágil e ostenta mais riqueza do que Mia. Lindas as duas, mas se tivesse que escolher, apostaria mais em Carey. Ela e Leonardo parecem mais criveis do que os seus antecessores de 1974. Além de parecerem mais jovens, dá para sentir a verdade em suas palavras. Como disse: as épocas são diferentes, hoje o publico não aceita mais atores canastrões que disfarçam o talento com caras e bocas como fazia Redford.

Gatsby para mim hoje tem a cara de Leonardo, um ator que se entregou ao comercial esperando que bons personagens aparecessem e “bingo”, a indústria de Hollywood finalmente o presenteou com um peso pesado do cinema. Ele é sim um bom ator, mesmo que digam o contrario. É dramático, às vezes psicótico, com seus olhos miúdos e azuis como o de Redford, alias em alguns momentos eles se parecem fisicamente de forma impressionante.

A trilha sonora é ágil, e certamente pode ser chamada de coadjuvante quase física da história. Ela esta o tempo todo contando alguma coisa, pontuada em momentos distintos, tendo Florence and The Machine, martelando nos ouvidos com a voz indescritível da vocalista que encabeça e empresta o nome a banda. Sensacional. Mesmo a mal fadada versão de Beyoncè para Back to Black fica bem encaixada no momento em que aparece no filme.

Mas talvez a versão de hoje do Gatsby possa coroar um Tobey Maguire maduro, desvestido do homem aranha que o fez famoso. É visível a transformação do personagem durante o filme. Um pobre e mal vestido garoto no inicio e um homem entregue ao vicio com ternos bem cortados e pulôveres de estilo. O cuidado como figurino é enorme, e nos agrada aos olhos. Ostenta-se joias, sapatos, carros caros, mansões deslumbrantes e a mesma retórica que polui a sociedade em todos os tempos: o preconceito social. O cenário muda, mas o ser humano é sempre o mesmo. Os ricos eternamente dirão que o dinheiro não compra o status de ser um “bem nascido”. Gatsby é um homem amoral, que luta para ser aceito, e com isso paga, compra, e esbanja. Mas no frigir dos ovos, é um pobre coitado.

Vale a pena ver as duas versões. O roteiro é distinto, e pouco se tem de um no outro. O enredo é o mesmo, mas a história é contada de forma diferente. Só conseguimos perceber o mesmo diálogo nas tomadas que o diretor de hoje fez questão se ser fiel.

Abraço e ótimo inicio de semana.

3 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

A obra é um clássico ... a versão de 74 eu assisti ... esta agora ainda não ... são tempos e recursos diferentes ... acho q cada versão tem o seu devido valor qto a isto ...

Rabisco disse...

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Cozinhas Pequenas disse...

Eu tb assisti a versão antiga... só senti falta da cena da piscina no final da história, a antiga é mais bem feita. Deixa a gente se envolver com aquela água azul perfeita, o telefone tocando e em seguida o contraste do tiro e do sangue. Tb não gostei daqueles raps na nova versão...