NOSTALGIA...

Gosto muito da modernidade, dos avanços tecnológicos, científicos. Aquarianos são sempre visionários e tem uma perna no futuro, mas eu ainda estranho as novas gerações. Não digo pela facilidade de entender as “tecnologias” afinal nasceram dentro delas, mas a incapacidade de assimilar os conceitos básicos de educação e boa convivência.

Sou do tempo que pai e mãe eram “ senhor e senhora”, avós eram figuras paternais, respeitosas e idolatradas. Não se discutia uma ordem ou um corretivo dado por eles. Mesmo não concordando, era a autoridade máxima dentro do lar.
Sou do tempo que se levantava para o diretor da escola quando entrava na sala de aula. Os professores eram sim, mestres que te ensinavam, não um colega que sai pra tomar cerveja com a turma.

Sou do tempo que ao sentar a mesa na casa de um estranho esperava-se o anfitrião para começas a comer, e não como hoje, que as pessoas devoram tudo como bois na trincheira sem se preocupar com quem vem depois.

Sou do tempo que crianças eram poupadas de algumas verdades da vida para que pudessem prolongar um pouco mais sua infância. Acabaram com o lúdico, destruíram a fantasia. Isso acarreta um adulto sem imaginação e sem capacidade inventiva.

Sou do tempo que meninas de 11 anos brincavam de boneca e sonhavam casar-se com um príncipe encantado. Hoje elas estão nos bailes, atrás dos muros, atracadas com moleques mais velhos, por que os garotos de 11 anos ainda são bobinhos.

Sou do tempo que não se ostentava uma falsa riqueza. As pessoas tinham dificuldades, era complicado estudar os filhos, manter um lar. Tudo vinha de um sacrifício conjunto. Hoje se estampa um sucesso mentiroso nas redes sociais. A mesma pessoa que posta carros, viagens e ganhos pessoais, vive solitária num casulo criado para impedir que o enxerguem como realmente é.

Sou do tempo em que pais que davam de tudo para os filhos para justificar sua ausência ou suprir falhas na criação geravam inúteis que hoje sofrem as consequências.

Sou do tempo que ainda existia romantismo nas relações. Hoje é piegas dizer “eu te amo”.

Sou do tempo que a diversão era simples, bastava uma rodinha de amigos sentados na calçada, contando bobagens ao entardecer para sentir aquela sensação de felicidade.

Sou do tempo que o sol não queimava a pele ao ponto de te deixar doente. As piscinas eram locais de diversão, os parques eram baratos, precários, mas tinham um encanto indescritível. O cachorro quente era salsicha e pão, a coxinha mal cabia na mão, e era mega recheada. A fanta laranja vinha na garrafinha de vidro e dava pra dividir com os irmãos.

Sou do tempo que as perdas eram sentidas, vividas. O luto era permanente porque aqueles que amamos e partiam, continuavam vividos na memória, sentidos quase que fisicamente.

Sou do tempo que natal era um momento sublime do ano. Esperávamos ansiosamente o mês de dezembro, por que além das sonhadas férias, tinha o encanto dos enfeites na cidade, no comercio, em casa...existia o verdadeiro espirito natalino.

Esse tempo? Esse tempo foi ontem e sinceramente, não vi passar!

abraço a todos.

6 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Ah! meu caro Rafael! Tb sou deste tempo ... ontem mesmo conversava com minha sogra sobre estas coisas ... qta nostalgia ...

"Acabaram com o lúdico, destruíram a fantasia. Isso acarreta um adulto sem imaginação e sem capacidade inventiva."

Beijão

Fred disse...

Somos (sim, pq me incluo nessa) do tempo em que as coisas tinham um tantinho(ão) a mais de significado e importância!!! #SóAcho!!! Hugzão, caríssimo!

Lucí disse...

Lendo me deu saudades desse tempo.

Verdade, brinquei de boneca ate os 10, 11 anos. Hoje vejo alunas da minha escola com 6 anos, enrolando a blusa pra mostrar a barriga pro professor de educação pq acham ele um gato.

Gera Souza disse...

"Sou do tempo que as perdas eram sentidas, vividas. O luto era permanente porque aqueles que amamos e partiam, continuavam vividos na memória, sentidos quase que fisicamente."
Somos desse tempo que infelizmente não voltará mais e só teremos este texto para reavivar nossas memórias!
Grande abraço

jair machado rodrigues disse...

Meu querido Fael, que belezura de post, até parece que vivíamos em outro mundo, outro tempo bem distante, mas não, não faz muito tem,po, apesar dos meus 40 e tantos anos rs...li ontem e fiquei deverás impressionado e feliz por ter algo tão claro, tão lúcido e que é uma imensa verdade. O que está acontecendo com esta geração ? Ainda ontem, nesta nova cidade que vivo, fui com meu primo numa estação de trem (ainda tem por aqui rs), e começamos a lembrar de quando éramos pequenos e fazíamos esta viajem com nossa falecida avó na época das férias, daí virou um momento nostálgico, de como éramos felizes e infantis e inocentes e até ingênuos, mas hoje somos seres bem melhores dos que estão aí sem este passado, sem estas vivências; e era tão normal ouvirmos os mais velhos e obedecer, respeitar...no meio destas lembranças, lembrei e falei do post ( o teu) que havia lido, então disse pra ele que agora tinha algo a acrescentar e não só dizer que mais uma vez escreveste um post maravilhoso.
ps. Todo meu carinho meu respeito e meu abraço.

FOXX disse...

valei-me, quanta saudade da infância!