O MEDO DA IDOLATRIA...

Já falei algumas vezes, aqui inclusive, que não sou adorador de mitos. No máximo eu gosto. Mas idolatrar, não é papel que me caiba.

Vejo pulsando nas emissoras hipócritas cenas de crianças chorando e correndo para seus “ídolos” futebolísticos como se fossem deuses. Perdoo a criança por que há sempre uma inocência no ato, mas culpo os pais que certamente ficam instigando essa adoração neles. Gostar de Neymar ou daquele boneco roxo que cantava em programa infantil da na mesma. As crianças se iludem com algo que mais tarde se envergonharão, certamente. O mesmo falo para as cabritas histéricas que desmaiam ao verem um Justin Precisa de uma Surra Bieber num palco. Não vejo razão para fanatismo, não vejo isso com bons olhos. Soube pela mídia que aquele gafanhoto estranho chamado Amin Khader tem até bituca guardada de um cigarro fumado por Gal Costa. Tenha a santa paciência!!!

Mitos se desintegram em vida, a olhos nus. Os que não têm coragem de assumir a decadência deixam o palco e interrompem o envelhecimento de uma estrela de forma dramática, assim como fez Walmor Chagas há pouco tempo. Deixa a vida, no epílogo teatral de um dramalhão grego. Ao Assistir “7 dias com Marilyn” acabei curioso para entender realmente o que acabou com a  vida do maior mito feminino da história do cinema.

Marilyn Monroe nunca foi um ídolo para mim. Sempre achei um estereotipo de mulher burra, linda e vulgar. Aquele tipo usado para atrair atenção do publico, mas que por trás da estampa glamurosa sempre há um monstro atormentado pela escuridão. Marilyn não era diferente disso. No filme, que mostra uma curta temporada sua na Inglaterra enquanto filma com o lendário Sir Laurence Olivier temos a nítida impressão de uma mulher que queria fama a todo custo. Mais tarde aflorou na mídia o cume de sua ambição: tornou-se amante do presidente da republica.

Obviamente que os americanos puseram panos quentes sobre essa história, mas ao assistir sua biografia documentada, também me interessei por outro fato, como e por que morreu vitima de ingestão de comprimidos. Num relato de sua morte recriado 40 anos depois, os melhores especialistas do mundo foram chamados para montar a cena encontrada em 5 de agosto de 1962. Marilyn de bruços na cama, nua, com o telefone preso a mão esquerda e morta. Assassinato, suicídio ou morte acidental? Economizando tempo, ela se suicidou.

Não é fácil ser um anônimo e carregar as neuras que nos são transmitidos por herança genética ou por criação. Pior ainda para um astro que se vê decadente ou preso por amarras invisíveis que ele mesmo criou.

Quando olhamos o problema alheio é tão simples encontrar solução. Temos mil ponderações sobre o mal que atinge o outro, mas somos impossibilitados de reagir com nossos próprios engodos. Acho que por isso gosto de conversar com pessoas, amigas ou estranhas. Há sempre uma solução na ponta da língua sobre as causas do que nos aflige, o problema é dar a volta por cima, ou simplesmente desatar os nós que nos prendem aos males.

Marilyn colheu aquilo que plantou ou que a ajudaram a plantar. Usou a sedução para atingir seus objetivos, mas como a natureza não é benevolente, ao notar que a beleza não lhe era mais tão viçosa aos 36 anos ( ideia esdruxula se achar velho nessa idade) o declínio do mito culminou no suicídio, sozinha, numa casa de classe média, num quarto frio, sem nenhum tipo de aconchego.

Tenho a plena consciência de que idealizar pessoas, histórias e situações não nos leva a finais felizes. Sempre acho que há a anulação unilateral. Alguém se deixa menosprezar e diminuir em prol do outro, para que esse “outro” se sinta superior. Equilibrar esse peso na balança é algo que só o tempo e a experiência trás. Os mais velhos concordarão comigo.

Não idolatro mais para não sentir o gosto da decepção. Esse é amargo, e sei bem como é.

Ótima semana a todos. E se alguém achar um feriado por aí, por favor, me avisem para que corra atrás.


7 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Tenho em minha vida muitas referências q admiro, mas não tenho ídolos e abomino qualquer tipo de idolatria, mas o q realmente me chamou a atenção aqui foi a sua afirmação: "colheu aquilo que plantou ou que a ajudaram a plantar ... este é o princípio mais forte da vida ... nada é por acaso ... nem mesmo Deus nos empurra nada ... ele já nos deu o quinhão de ser ... Nascer e ter a Razão ... o resto é com a gente mesmo ... colhemos o q plantamos ... #fato

Thomas Cícero disse...

Boa semana que se inicia.

Antonio de Castro disse...

quando eu era criança, cheguei a ter meus ídolos, mas depois passou. acho mesmo que é coisa da idade.

mas tô contigo, ninguém é perfeito e deve ser mesmo difícil para esses ídolos sustentarem durante muito tempo essa imagem de modelo.

uma pergunta: admirar algumas pessoas ainda pode, né? sem idolatria, só admirar...

Ludmilla Russo disse...

Adorei o texto, Rafa!
Muito profundo, especialmente quanto às amarras que, às vezes, são criadas por nossa própria cabeça.

Bjos

Alexandre Barreto disse...

Tbem tenho várias referencias em minha vida, não gosto da ideia de idolatrar alguém, vamos combinar que ninguém é exemplo pra ninguém..rsrs #prontofalei!

FOXX disse...

ah, eu acho a Marylin incrível e sua história de vida é fascinante, eu gostaria de tê-la conhecido, ela devia ser uma pessoa incrivel para sentar e conversar sobre a vida, sabe?

jair machado rodrigues disse...

Olá Rafael, tenho uma amiga que dizíamos que tínhamos a solução para tudo da vida do outro e não para a nossa...bom estar aqui, bom te ler.
ps. Carinho respeito e abraço.