UMA VERDADE PARA O NATAL

Déspota

s.m. Entre os gregos, aquele que exercia o poder soberano sem direito à sucessão e sem investidura regular.Príncipe, governante que exerce autoridade arbitrária e absoluta; tirano. Pessoa que impõe sua vontade de forma tirânica.


O despotismo está tão presente em nossos atos que muitas vezes não nos damos conta de quanto exercemos esse mal e impomos a outros nossas vontades, opiniões, idéias e gostos.


Tenho por traço de personalidade (aquariano puro) a incapacidade de lidar com criticas. Me esforço o maximo para que não precise ser chamado atenção por atitudes muitas vezes mal interpretadas. Por que idéias estão na cabeça e muitas vezes são difíceis passá-las de forma clara para outros, e a não compreensão gera a critica, que me dissolve como acido.


Deixo claro que a critica construtiva ao meu trabalho é sempre bem vinda. Um olhar sobre o projeto e a opinião sensata me agrada e muito. O que quero dizer com “critica” é o julgamento por um ato que passa despercebido por julgar muitas vezes intimo de alguém ao ponto de poder falar o que penso.

Não sei por que, mas tenho dificuldade de entender por que pessoas não gostam de Natal. Acho um período tão grandioso do nosso calendário anual. Não falo do consumismo desenfreado, mas de algo até certo ponto infantil, de olhar as vitrines coloridas, as luzes piscando nas fachadas com um fascínio hipnotizador. Aí ouvir que alguém não curte esse período desperta em mim o despotismo, por que quero convencer a pessoa de qualquer forma que o Natal é lindo. Sempre me julgo capaz disso por que nos meus anos de vida, nem todo natal foi sublime. Passei anos terríveis, mas mesmo assim não perdi o êxtase de ver arvores de natal piscando, de me emocionar com o espírito que nos envolve no natal.


Ao tratar desse assunto com um amigo, acabei por receber uma critica desnecessária, a de que por eu ser mais velho, tenho a idéia de estar sempre certo. Justamente eu que abomino “verdades”. Enfim, a primeira coisa que me veio à cabeça foi “você é um déspota”. O problema de um aquariano, e os que o são podem concordar comigo, é a facilidade que tem de absorver os problemas alheios e sempre oferecer um ombro amigo ou uma discussão que o leve a reflexão dos males. Isso pode ser visto como imposição de idéias. Mas não é. É uma ajuda implícita.


Há um momento nas relações que é necessário aparar arestas. Dizia a uma grande amiga de faculdade que apesar da distancia ainda nutro uma admiração impar, por que soubemos criar um vinculo baseado na verdade das palavras, que acontecesse o que fosse, que fizessem a fofoca que fosse, que sempre viesse a mim, e jogasse aquilo que a perturbava, nem que fosse para me xingar, mas nunca virasse a cara ou encanasse com alguma bobagem sem me falar.


Mas existem pessoas que não te dão chance de aparar essas arestas. Não curto muito ser trocado de posição de vitima a bandido. Algumas pessoas têm o dom de transformar a situação e te fazerem de criminoso, então assim é impossível testar limites, por que você estará sempre errado ao discutir. Aí vou enchendo o copo, pingo a pingo, o dia que transborda, vira um maremoto.


Abraço as dores e desilusões de pessoas que gosto como se fossem as minhas. Aí quando se entende que existe amizade, qualquer palavra de conselho é bem vinda. Quando o outro entende que você o critica, então não há aquela cumplicidade que estava subentendida.


Sempre fui de brincar com as pessoas, de forma não agressiva e muito menos desrespeitosa. Na faculdade nos tratávamos de “canalhas”, ordinários”, de forma brincalhona, e nunca isso me ofendeu. Um dia, uma garota da turma, daquelas que dividíamos até o lanche disse que essa forma de tratá-la a ofendia. Engraçado que éramos dezenas, mas ela disse a mim, como se eu colocasse um tom pejorativo nas palavras. Nunca mais usei termos diferentes para tratá-la, nem dirigi qualquer brincadeira. As relações pessoais, sejam amorosas ou de amizade são como papel em branco. Amasse-o e nunca mais terá aquela superfície lisa. As marcas ficarão ali. E comigo funciona assim. Apesar de não guardar rancor dos outros, não consigo mais ser o mesmo quando algo me pega desprevenido e mexe com minha moral. Se há algo no meu caráter é sempre o respeito pelos outros.


Essa semana fiquei reflexivo. Prometo que amanhã coloco qualquer bobagem pra descontrair...


Abração e boa quinta feira.

12 comentários:

Dama de Cinzas disse...

Essa coisa de concordar contigo tá ficando chata... ahahah

Bem, eu adoro Natal e Ano Novo, não sou nadinha consumista, compro poucos presentes, só pra pessoas que gosto muito... Mas adoro esse clima de decoração, essa coisa boa das pessoas ficarem mais reflexivas e desejarem coisas boas, pode até soar hipócrita, mas não acho, acho que fica um clima diferente mesmo... Eu gosto e ponto... rs

Tem gente mesmo que gosta de nos fazer de vilão da história. Tenho um ódio disso!

E continue fazendo seus posts de reflexões sobre a vida e si mesmo. São bem legais!

Beijocas

Paulo Braccini disse...

eu entendo q as verdadeiras relações devem passar por esta autenticidade. se não nos convergimos para denominadores comuns, o respeito mútuo é fundamental ...

eu já amei o natal ... ano novo nunca me tocou ... hoje detesto o natal e toda e qualquer comemoração imposta culturalmente ... q os outros gostem e curtam não me incomoda mas, eu q não gosto e não participo mesmo, quero ser respeitado em minha posição ... afinal eu não curto e não participo e pronto ... porque os outros se sentem no direito de me ficarem aporrinhando e me julgando, me taxando de chato, de neurótico, de desmancha prazeres, etc etc etc ... porra ... façam suas festas sem a minha presença ... ou eu sou tão importante assim? me poupem né? rs

bjux

;-)

Paulo Braccini disse...

nem ouse fazer tal convite ... por aqui tb é assim ... o detalhe das crianças, do alcool e da alegria desmedida me fascinam ... kkkkkkkkkkk

bjux

;-)

David ®... disse...

acabei de ter um epifania: sou um despota tb!

morri!

abs

Carla Farinazzi disse...

Rafael,

Essas coisas que pegam a gente de surpresa são devastadoras, né? Principalmente se, além de ser de surpresa, vier de alguém que eu considero ou gosto. Sabe, eu tenho muita paciência, mas quando eu perco, a pessoa morre, pra mim. Morre, simplesmente. Deixa de existir.

Beijo

Carla

Atitude: substantivo feminino. disse...

Rafa, eu também não curto natal. Não é por nada..nenhum ente querido meu morreu nesta data, não acho que todos os natais são ruins..não é isso..só não gosto de ter a obrigatoriedade de passar com a família. Acho que nêgo se fode o ano todo e no natal todo mundo fica de bem pra comer peru e para trocar presente.
Aí é demais para a minha cabeça.
Gosto mesmo é do Reveillon..todo mundo de cara cheia, tomando banho de mar ou de Cidra Cereser, vestindo branco ou qualquer outra cor e rindo do nada.

Seus posts reflexivos são ótimos!

Visão disse...

O que eu mais gosto do Natal? Da minha família reunida, do amigo oculto [ou sacana] em família. Mas fora isso, nada mais me atrai.
Amizade sempre passa por uma prova de fogo, e eu descobri isso depois de certas coisas que eu admiti. Mas eu não critico vc, e diria que também faço o mesmo - torno-me indiferente a pessoa, sem rancor, mas ela já não mais fará parte de minha vida como antes.

Tathiana disse...

É bom fazer reflexões.
Relacionamentos são mesmo assim. Se o cristal quebra, podemos tentar colar, mas nunca mais será a mesma coisa. Esta é uma lição que tenho aprendido.
Sou ariana mas não gosto de críticas. Se for me criticar, tem que ter bons argumentos e o telhado não pode ser de vidro... rs.
BJs.

KARINA PINTA E BORDA disse...

Eu também adoro o Natal, apesar deles não serem mais os mesmos, talvez porque minha avó agregadora tenha morrido, talvez porque não existam mais crianças na minha pequena família. Mas essa coisa de querer convencer o outro de que algo é bom deve ser uma característica de inúmeros seres humanos, categoria na qual me incluo, apenas quando vale a pena, seja por causa do trabalho, seja por causa da pessoa (pois existem também inúmeras pessoas que, defitinivamente, não valem a discussão e o empenho na defesa de qualquer coisa). Em relação às críticas, eu até as aceito muito bem, até porque não é sempre que dá para retrucar, mas quando não as aceito por considerá-las injustas, acabo virando meio que um bicho, e a resposta sai bem áspera mesmo. Tá vendo no que dá fazer posts reflexivos? Longos comentários reflexivos! ha ha ha Um beijo, Karina.

Marcos disse...

Eu adoro Natal, apesar de que nem sempre tive natais bons! Mas como minha familia é grande e o Natal é uma época de união e a oportunidade de aparar algumas arestas...rs Gosto da festividade e de tantas coisas que geraria um post para expor tudo.

Agora que tem gente que aproveita o Natal para se infiltrar isso tem.

Já o assunto 2 dentro do assunto um que é a aversão a critica... isso depende realmente de como a mesma é feita.

Tem criticas que vem carregadas de inversão! Fazer você sair da opinião e virar um vilão. E não te dá condições de resposta sem ofender ao "critico" de carteirinha.

Abçs e esse natal promete grande evento heim! uhu!

Marcia disse...

Rafinha,

eu odeio críticas, revelam que sou imperfeita e não estou no controle e isso afeta diretamente a direção geral da minha Central de NEUROSES...notadamente aquela que me diz que tenho que agradar...

Quanto ao Natal, vou postar uma confissão... eu amo, mas eu odeio, do fundo do coração, é bipolar, ambíguo como tudo em mim. Não tenho família, e o Natal, festa de família, joga isso na minha cara, e me dói, como poucas coisas me doem. Todo ano juro que vou me esconder depois da missa junto com a minha gatinha Chiclete, mas alguem me arrasta à força para casa, e eu fico lá avulsa sorrindo amarelo enquanto a família alheia confraterniza e eu lembro que não tenho pai ou irmãos e que minha mãe me ignora, é F.O.D.A.

Beijos...

Lobo disse...

O Natal é a segunda época do ano que mais odeio, então posso te dar uma palhinha dos motivos que circulam esse ódio.

Hipocrisia? Gente que nem olha na sua cara se fazendo da pessoa mais alegre e sociável do mundo? Qualquer lugar onde se compre algo lotados? Músicas irritantes? Crianças pra todos os lados?

No meu caso ainda teve um plus: meu tio foi assassinado na nossa frente a tiros num natal desses da vida. O vermelho que tudo do natal carrega faz todo o sentido pra mim.

Agora, sobre criticas, penso que elas são necessárias. Só critico alguém quando me pedem opiniões, mas se pedir, sai de baixo que eu vou cuspir tudo. Sem dó. E geralmente dói. Mas eu, nem ligo pra críticas. Crítica é só o que eu recebo nessa vida. A gente acostuma.

Abração!