UM CERTO LEGIÃO URBANA

Minha geração desfrutou do que de melhor o país produziu em relação a rock nacional. Vi surgir bandas como Titãs, Capital Inicial, Ultraje a Rigor, o fenômeno RPM, Barão vermelho e Legião Urbana, entre outras que me fogem a memória.

Mas falarei em especial de Renato Russo. Após a reportagem no ultimo domingo no Fantástico, o rosto de Renato ficou marcado na minha cabeça e passei a segunda feira relembrando a forma como conheci o Legião.

Tinha 13 anos, adorava musica, e havia viajado pela primeira vez em anos para a praia (meus pais iam muito enquanto era bebê, quando cresci, as férias passaram a ser em casa, por que viajar com a família implicava em carregar dois filhos adolescentes que brigavam o tempo todo, uma criança ranzinza e uma velha que reclamava de tudo e rezava o dia todo...rs). lembro de estar parado numa banca de revista, em Santos, quando ouvi “Quase sem Querer”. Fiquei hipnotizado. Sabe como são adolescentes, existem paixões platônicas em todos os cantos, e vivia uma, por isso estaquei ao ouvi-la.




[ Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente...]


E assim nasceu minha admiração pelo Legião Urbana.

Ao voltar pra Campinas, corri na “Mesbla”...rs...e comprei o LP ( Long Play) “Dois” do legião, e fiquei surpreso com a letra “Eduardo e Monica”, acredito a mais simbólica da banda. O disco era perfeito, do inicio ao fim. Furei o vinil de tanto escutar.

Engraçado que a voz de Renato Russo sempre me comoveu, mas sua fisionomia me incomodava. Achava a barba, o cabelo desgrenhado, os gestos com os braços enquanto dançava estranho, um tanto sem ritmo, mas sua voz não, era limpa, tocava o mais intimo sentimento.

Há o poema belissimo que junta a epistola do Apostolo Paulo e o soneto n° 11 de Luis de Camões, num extraordinario arranjo de Renato. A música: Monte Castelo.

[...O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer...]
Quando se aventurou no CD italiano, conclui que era o melhor da sua geração. Paulo Ricardo, o fenômeno tinha desaparecido, O Titãs sendo aos poucos abandonado pelos mais talentosos, o Capital Inicial sem muito a oferecer, o Ultraje, não sei por que afundava em discos sem nexo. Enfim, o que sobrava dos áureos tempos era Renato. Cazuza já tinha partido há muito, e convenhamos o Barão sem ele, foi só mais uma banda.

É difícil ter um sentimento ambíguo por um astro. Ao mesmo tempo em que ouvia Renato, achava-o depressivo, e isso me incomodava. Quando anunciaram sua morte, e a causa ( AIDS) lamentei não ter dado a chance de entende-lo em vida. Após a morte todo astro vira ídolo, e se apagam as atitudes ruins, e endeusam como se nada pudesse ter sido feito de errado por ele. Visto cazuza, que foi sim um grande nome da musica, mas com uma vida estróina que não deveria servir de exemplo para nenhum jovem.

Renato Russo era confuso. Não soube lidar com a doença. Não o recrimino, por que deve ser muito complicado ( ainda mais na época) ser um soro positivo.

O Legado ficou, e a prova que o Legião urbana é atemporal, que hoje ainda escuto as musicas, e tenho a impressão de que ele não se foi. Renato parece uma daquelas estrelas excêntricas que desaparecem da mídia, mas um dia voltam com um disco bombástico, uma turnê faraônica. Um Michael Jackson, que para mim continua vivo.

Aos jovens de hoje, é difícil dizer quem foi Legião urbana. As musicas nem caem mais no gosto da molecada que grita aos berros por Justin Bieber, Luan Santana, Restart, e tantos outros ignotos jovens amorfos.

Para relembrar e pra quem consegue ouvir, Eduardo e Monica, um clássico do nosso Rock...


Abração a todos, e boa terça feria.

12 comentários:

DÉYA... disse...

Hum relembrar Renato é sempre bom, na adolescencia foi minha banda prefira..
e ainda ouço com menos intencidade mas ainda gosto, são letras poéticas
que jamais seram esquecidas por quem viveu um só momento que sela embalado por elas..
uma boa noite.

Edu disse...

OUÇA NO VOLUME MÁXIMO!

Achei isso tão "punk", tão "rebelde"... (eu era "certinho" demais!). Pra mim, eles serão sempre os melhores!

Beijo!

KARINA PINTA E BORDA disse...

Vc mencionou várias bandas, mas eu nunca consegui enquadrar a Legião Urbana no mesmo nível do Barão Vermelho e dos Titãs, por exemplo, pois a Legião para mim representa muito mais. Lembro-me de, adolescente, berrar (é, eu não cantava mesmo! rs) "Pais e Filhos". Gosto muito de todas as músicas que mencionou, mas as minhas favoritas (é quase impossível escolhê-las) são Tempo Perdido, Angra dos Reis e Daniel na Cova dos Leões. Só que acabei de me lembrar de uma extremamente emblemática: Faroeste Cabloco. Como essa música tocou... No dia da morte do Renato eu estava já na faculdade, e era interessante como as pessoas pareciam abismadas e meio tristes com a notícia (inclusive eu, que passei o dia assistindo MTV). Um beijo, Karina.

Mylla Galvão disse...

Rafa,

EU AMO LEGIÃO! E meu maior arrependimento foi não ter ido num dos últimoa shows deles em JF, pq logo depois Renato faleceu!

Mas a única música deles q não curto de jeito nehum é Eduardo e Mônica. Essa não desce... Essa é mto chata. Não curto mesmo...
As outras adoro... Principalmente Quase sem querer e Faroeste Caboclo!

òtimo post!

bjo

Solange disse...

Eles fizeram parte da minha adolecencia tbem, mas todos os outros que vc citou eu adoro tão quanto a legião....
A letra das musicas todas tem um sentido,não são meramente musicas....mas poemas cantados e textos que nos fazem refletir até hoje.
Morre o cantor,mas a sua arte é bela fica por toda eternidade.Beijos Rafael....

Nanda disse...

Rafael,

Conheci seu blog faz pouco tempo, mas curto demais a forma como você se expressa, como constrói e encaixa cada "tijolinho" por aqui rs.
Me deparar com um post sobre Legião Urbana, foi no mínimo revigorante. Me apaixonei pela banda ouvindo "Tempo Perdido" e nunca mais parei.
Também gosto muito de todas as outras bandas que você citou e dias atrás, me perguntei se nunca mais irão lançar músicas com letras inteligentes. Bandas novas que surgem com letras tão superficiais. Saudade de quando as músicas tinham um certo conteúdo, e eram ao mesmo tempo divertidas, deliciosas...
Nostálgica até o útimo fio de cabelo hahahaha
Bjs e parabéns pelo Blog!

Le Voyeur disse...

qto me vi como 'gente' ja nao existia mais o LU. portanto, nao peguei a epoca de ouro da musica brasileira. mas adoro as musicas...
monte castelo esta no meu mp3 interpretada por jay vaquer ha meses e meses e nao canso de ouvi-la e cantar junto...

bjs do voy

Cris disse...

Oi Rafael...abri geral meu blog de novo; pelo menos por um tempo....rs

Estranho, também sempre curti um lado do Renato Russo: o artista em toda a sua voz . A figura dele também me incomodava e mais do que depressivo ele me passava uma certa revolta; mesmo antes de saber-se soro positivo.
Talvez, efeito de uma descriminação sexual por parte de amigos, família...quando se torna "celebridade" tudo é fácil. O anônimo sofre!

Acho que Cazuza foi sempre leve, moleque, pra cima, pra vida. Aliás, cantou e falou na vida até o fim. Era um cara que jogava a galera pro alto nos shows. Tive oportunidade de ver e ouvir isso bem de perto e a peteca do cara não caia !

Acho que sou mais Cazuza....rs

beijo pra vc!

Cris disse...

Obrigada pelas palavras de carinho. saiba que a recíproca é super verdadeira.

Quanto ao texto, ele é dedicado a um aniversariante que amo profundamente, apaixonadamente e que não está mais perto de mim, pelo menos físicamente, para que eu possa dar um beijo enomre, um abraço gigante e pular no colo nele e dizer o quanto o amo: meu avô !

Outro beijo!
Volto sempre...

Tathiana disse...

Adoro Legião Urbana, tb ouço até hoje... Me identifico com as letras das músicas... Não entendo esses novos "ídolos" da atual juventude.
Bjs.

Atitude: substantivo feminino. disse...

Acho que foi o único show que me arrependo de não ter ido.

Atitude: substantivo feminino. disse...

Lembrei que tenho outro comentário..
Minhas primas foram num show que eles fizeram aqui no Rio no antigo metropolitan e me lembro delas contando que foi deprimente porque estava mega vazio..não sei..de alguma forma eles estavam meio sem público por aqui...e elas se sentiram super mal por eles sabe...mas contam que foi ótimo porque puderam ficar bem perto dos ídolos...
Nossa que nostalgico!
Deprimente estou eu!
Beijos!