A DESEJADA DA TERCEIRA IDADE

Ficar sozinha na velhice às vezes e a conseqüência de ter apenas um filho. Tenho algumas idéias a respeito disso, mas num futuro comento, hoje vou falar de uma tia-avó já falecida, a Tia Lupinha.


Era irmã caçula do meu avô materno, casou-se cedo e teve apenas um filho, que quando adulto, claro, foi cuidar da própria vida, deixando a mãe, já viúva, bem instalada num edifício daqui de Campinas.

(Lupercia, nome de batismo) oi Tia Lupinha, era uma senhorinha de pouco mais de 1,60 m magrinha, ou bem torneada,  digamos que adorava se sentir sexy. Viuvou aos 50 anos, e daí em diante, sozinha, passeava para cima e para baixo, com sua peruca loira crespa e seu sutiã de Bojo, deixando os seios sempre empinados e durinhos...rs.

Tia Lupinha era sensualidade pura e chamava atenção de homens de meia idade por onde passava, mas sempre dizia que homem fora seu marido morto, que para ela a vida acabara quando o sepultou.



Um belo dia recebemos um telefonema em casa do sindico do prédio pedindo que minha mãe ( sobrinha preferida e metida) fosse até o prédio por que tia Lupinha fora encontrada desmaiada no elevador, envolta numa poça de urina.

Descobrimos após ela mostrar cartas, que um maníaco no prédio a perseguia, e o desmaio fora ocasionado depois que ele a agarrou no elevador. Tia Lupinha sofreu um abuso quase sexual. Queriam estuprar a pobrezinha. Pânico na família. O filho, nem importância deu e mandou recado pra minha mãe que não perdesse tempo com a velha, por que era esclerose.

Revoltadas com tudo isso, mãe e avó consolaram tia Lupinha e prometeram ajudá-la. Iriam a policia? Fariam reclamação com o sindico? Esperariam para ver se o tarado atacaria novamente o que não deu outra, dessa vez na garagem. Aos gritos tia Lupinha fora encontrada com a blusa rasgada depois de pegar a correspondência na caixa do correio ( prédios antigos tinham caixas postais na garagem onde o carteiro depositava a correspondência de todos os apartamentos). Fora atacada ali, arranhada e quase despida pelo maníaco do prédio.

Aí não deu mais pra segurar, todos ficaram sabendo, e o alarme soou. Quem era o tarado que queria estuprar dona Lupinha?

Passadas semanas de calmaria, ela recebeu uma carta ameaçadora, xingando-a por ter quase delatado o suposto tarado. Nervosa e quase histérica ligou em casa o que fez minha mãe correr prontamente ao seu socorro.

O resolvido foi que levariam as cartas a um delegado amigo do meu pai e lá fariam um boletim de ocorrência ou uma investigação pra ver se Lupinha não corria risco de vida.

Em casa, minha mãe lia e relia aquelas cartas obscenas que falavam das partes intimas de tia Lupinha, de suas roupas debaixo sensuais, seus cabelos anelados e provocantes. Mas uma coisa não estava certa, a letra parecia conhecida. Como minha mãe tinha acesso à família toda logo desconfiou de alguém. Uma pessoa muito próxima estava fazendo isso.

Correu nos pertences e achou um missário ( livro que ganhou em sua primeira comunhão) e solucionou tudo, ali estava, a mesma letra. Missão cumprida.

De forma bem discreta ( que nunca foi o forte da minha mãe) ela rumou a casa de tia Lupinha junto de minha avó para esclarecer o caso.

Sentada numa poltrona de espaldar alto que tinha em sua sala Lupinha enxugava os olhos com seu lencinho de seda e rendas quando minha mãe apresentou as cartas e mostrou também o missário deixando a velha boquiaberta e sem graça.

Não existia tarado algum, quem escrevia as cartas era a própria Lupinha. A mesma que rasgou a blusa e fingiu desmaio no elevador. Ela era o tarado.

Nada mais foi dito a respeito, nem o filho soube do desfecho, apenas do dia pra noite não chegaram mais cartas para Lupinha. Dias depois veio pelo correio uma correspondência para minha mãe endereçada pela tia. Dentro uma carta de agradecimento, e um cheque de Cr$ 5.000,00 ( equivalente a uns R$ 9.000,00 hoje). Ela comprou o silencio da minha mãe que gastou toda a grana em móveis, roupas e brinquedos para as crianças...rs rs rs.

Tia Lupinha não era fácil!!!


Abração e boa terça feira.

8 comentários:

Lila disse...

Começar o dia com essas suas histórias é muito bom.
Dia alegre pra ti.

Bjs meus !

KARINA PINTA E BORDA disse...

Que história! Seria tudo carência de atenção (e uma criatividade ímpar)? Um beijo, Karina.

Inside Me disse...

gente, genteee, geeeenteeeeeeeeee, essa sua tia lupinha era o bixo, kkkkkkkkk, mas sua mae q saiu lucrando, keria achar uma tia louca assim e q comprasse o meu silencio, hauhauhauhaa, ai jamal q saudade de vir aqui, eu me descuidei, esse é um blog q nao se pode deixar de vi pelo menos uma vez na semana, oras! mil desculpas. vou add aos favoritos, linkar etc, ver se num eskeço, kkk bjs no coração moço escritor, sua fã.Izzye

Edilson disse...

A tia Lupinha era do balacobaco hein...kkkkkkkkkkkkkkkkk. Que história absurda, isso é Almodovar puro. Amei. Abraços e linda semana.

Palavras Vagabundas disse...

Adorei Tia Lupinha apimentando a vida!
abs
Jussara

Tathiana disse...

Vixe. Pensei em mim mesma. Até agora só tenho um filho e não animei em ter outro. Será que vou ficar como tia Lupinha? rs. Na verdade, ele precisava era de atenção.
BJs.

Mylla Galvão disse...

OLHA... QDO SUA MÃE ABRIU O MISSÁRIO, EU JÁ ADIVINHEI O DESFECHO... ACHO QUE ELA QUERIA MESMO QUE O TARADO TIVESSE EXISTIDO... TADINHA... TAVA SENTINDO "FALTA"... (RSRSRS)

CARÊNCIA... ERA SÓ ISSO!!!

BJS

Luna Sanchez disse...

Boa!

Só acho que o xixi no elevador comprometeu o glamour.

Fosse hoje, Tia Lupinha criaria um perfil fake no Orkut para deixar mensagens eróticas em sua página e matar as amigas de inveja...rs

Beijo.

ℓυηα