O PRESENTE

Dia desses parei para analisar um comportamento que tenho todas as vezes que ganho um presente. Como semana passada foi meu aniversario e alguns amigos, familiares me presentearam, percebi que havia algo errado, por que em todas as vezes algo me deixava constrangido.
A explicação para tal constrangimento talvez esteja ( por que chamei meu auto terapeuta para elucubrar) na infância...rs....vamos aos fatos.
Quando criança, acredito que uns 6 ou 7 anos, fui obrigado a participar de um amigo secreto com os filhos das amigas da minha mãe. Eram umas 10 ou 15 crianças que mal se conheciam, mas as mães no intuito de aproximar-las sujeitaram-nas a esse mico.
Tudo bem, eu participei. Por 3 semanas recebia do então amigo oculto bilhetinhos dizendo que a mãe já havia comprado meu presente, e que ele estava sobre a estante da sala, lindo, como um troféu, e que eu gostaria muito, por que realmente o presente era super legal.
No dia da revelação do amigo secreto, fui com meu presentinho sob o braço, tímido como era quando criança, magricelo, e quietinho.
Algazarra formada, crianças felizes rasgando os embrulhos e revelando presentes fenomenais. E nada de chegar minha vez. Bem, fui deixado por ultimo, então percebi que aquele amigo secreto que me mandava bilhetinhos simplesmente não apareceu. Dei o meu presente para a garota que havia tirado e fiquei sentado vendo todos brincarem, com um sentimento que hoje consigo descrever como : profunda decepção.
Uma das amigas da minha mãe vendo a situação correu numa lojinha do bairro e comprou uma cueca e um jogo de palitos, e me deu, alegando que era uma lembrancinha, e que pelo menos não sairia de mãos abanando.
O que leva uma mãe a deixar uma filha iludir um amiguinho também criança com promessas , e depois simplesmente não aparecer, causando um vexame sem precedentes. Não sei, não lembro a cara dessa menina, nem da mãe dela...para dizer a verdade, a única imagem guardada dessa ocasião, sou eu sentado numa cadeira sozinho, enquanto as crianças corriam de um lado para outro.
Vinte e tantos anos depois, uma namorada faz o mesmo. Antes do natal, ficava dizendo que havia comprado meu presente, que era lindo, que era um kit, que bla bla bla. Quando recebo o tal presente, numa caixa dourada com laços enormes veio outra decepção. Dentro só havia utensílios para carro. Xampus, pneu pretinho, flanelas etc. Para quem não curte carro, apenas dirige., que nunca lavou um automóvel e abomina tudo o que diz respeito a automobilismo, foi um ótimo presente...rs. Agora, esse é um fato que não escondo de ninguém, amigos, familiares, e conhecidos, sabem que eu não me importo com carro, como disse, apenas o dirijo. Deu problema, eu paro e chamo o guincho...rs. Nota 10 para essa menina que depois de quase dois anos de namoro dá um fora desses.
Com isso conclui que ganhar presente para mim é um ato que me constrange. Não sei explicar ao certo, mas fica uma sensação que não mereço que não sei como agradecer. Sou dos que gostam de surpreender dando o presente. E em momento algum o faço esperando retorno. Então quando alguém chega e me dá algo que eu queria muito, acabo tento um comportamento que demonstra que não gostei, mas na verdade, adorei, apenas fiquei envergonhado.
Então fica a dica, nunca digam que me compraram presentes, que ficarei feliz por recebê-lo e coisa e tal, por que em todas as vezes que isso aconteceu, fatidicamente, fiquei decepcionado. Ah, e tem mais, não me importo se ganho uma caneta bic ou uma Montblanc, o que vale é que se lembraram de mim.
É isso...traumas de infância...rs rs rs

Abração a todos, boa semana.

2 comentários:

M. disse...

Olha, eu também sou presente bom e só ganho !@#$%¨&*.

Mas achei uma solução pra isso: ME dou bons presentes =)

Abração!

M. disse...

Olha, eu também dou presente bom e só ganho !@#$%¨&*.

Mas tem uma solução pra isso: SE DÊ bons presentes =)

Abração!